A Inveja Profissional

Lendo sobre a inveja, o mal oculto, no livro homônimo de Zuenir Ventura, percebi o quanto este pecado capital, faz-se presente em nossa vida pessoal e profissional. Como elemento degradante sobre todas as formas de produção humana, a inveja passou a ser um flagelo, não só para os invejados como também para os invejosos, que sofrem uma angustia de morte, a cada conquista de seus invejados. Vale lembrar o gênio Amadeus, recoberto pelo misto de amargura, admiração e angustia personificados por Saliere. Não esqueçamos a sina concebida ao jovem Simba, personagem do desenho

O Rei leão, que durante toda sua juventude foi perseguido e até ser induzido a fuga, pelo maquiavélico tio Scar, criador de tanta dor e sofrimento. Tristeza maior, é saber que a origem do sofrimento real, vivido pelo músico e compositor, foi exatamente a mesma a qual inspirou a criação da “ficção” cinematográfica. Escrever sobre tal realidade é importante e visa despertar e alertar, principalmente as pessoas que lidam diariamente com outros seres humanos, sobre a necessidade de auto conhecimento e equilíbrio interior. Pessoas debilitadas por doenças incapacitantes, crianças em pleno crescimento ou formação, idosos com pouca ou nenhuma esperança de compreensão e companheirismo, são comuns no cotidiano dos profissionais da Educação Física.

É necessária, para auxiliar na modificação de comportamentos que degradam o equilíbrio entre o corpo, a alma e o meio ambiente, a presença de pessoas e profissionais, que estejam sempre bem dispostos, centrados em seus afazeres e interiormente em paz, e dispostos a transmitir com atitudes práticas de urgência, otimismo e alegria a todos. O presente assunto é tão penetrante, e traz consigo uma carga altamente negativa, que simplesmente a leitura de textos que tratam desse mal, são eficazmente desagradáveis. Comumente surgem sensações de desconforto e declínio corporal, como se alguma coisa estivesse pesando sobre nossas costas e ombros.

A sensação de envolvimento por um cansaço momentâneo, que consome as energias corporais e mentais, que surgem como um passe de mágica em qualquer lugar ou situação é simplesmente incógnita. As cargas transmitidas por pessoas negativas postadas ao redor, trazem sintomas diretos ligados a mal estar súbito, inquietude e sonolência inexplicáveis. Temos sofrido silenciosamente com atitudes de profissionais, que concentram forças negativas, visando identificar falhas em nossas breves e passageiras conquistas. As críticas positivas que são dirigidas ao nosso trabalho, são sempre acompanhadas por uma intenção de propiciar correção nas falhas. Erros surgem inevitavelmente, em qualquer situação em que haja a busca por uma criação ou produção ou seja, onde há trabalho.

Os comentários e atitudes criticas dos invejosos, são sempre com a intenção de denegrir a imagem profissional conquistada. Não há em momento algum nas palavras ou atos advindos de tais indivíduos, alguma forma de ajuda implícita ou explicita, que possam ser usadas para corrigir nossos possíveis erros. As críticas destrutivas nunca são dirigidas diretamente ao invejado, pelo fato de existir um medo interior do invejoso em ser descoberto, e ainda mais de não possuir uma justificativa plausível para tal atitude negativa. Este é um fato que foge ao nosso controle, em relação as cargas prejudiciais que recebemos e não conseguimos digerir ou excluir.

Fatalmente após termos sido prejudicados em algum momento de nossas vidas, identificamos a causa e o causador de tanto transtorno e sofrimento. A única certeza, é que a infelicidade gerada pelo mal oculto, atinge sempre bilateralmente e de maneira degradante, as atitudes e as conquistas dos seres humanos. A inveja, que é parte integrante dos sete pecados capitais, deve ser apagada de nossa mente, imediatamente e no momento que houver algum indício da sua existência. Aos invejosos o nosso perdão, e também o isolamento, e o esquecimento.

Profissional de Educação Física: Luiz Carlos Chiesa
www.chiesa.hpg.com.br
Registro CREF 1- 000069 G/ES

  • Graduado pela U.F.E.S-1985/1
  • Pós graduado em Treinamento Desportivo pela Universo/1999.
  • Diretor do CREF 01/ ES.
  • Autor dos livros:
    Musculação: uma proposta de trabalho e desenvolvimento humano, Espírito Santo: Editora da U.F.E.S, 1999.
    Musculação: Aplicações práticas – Técnicas de uso das formas e métodos de treinamento, Rio de Janeiro: editora Shape, 2002.
    A musculação racional. Bases para um treinamento organizado, (em fase de edição; editora PAIDOTRIBO, Barcelona/Espanha).

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