A percepção dos professores de natação para bebês sobre a psicomotricidade relacional e funcional no meio líquido

A percepção dos professores de natação para bebês sobre a psicomotricidade relacional e funcional no meio líquido*
Luiz Juvêncio Pereira Fagundes1
Marines Ramos2

RESUMO
Este estudo teve como objetivo de analisar a percepção dos professores de natação para bebês sobre a Psicomotricidade relacional e funcional no meio líquido. O presente trabalho caracterizou-se como sendo do tipo descritivo. A população foi constituída por professores graduados em Educação Física que atuam em escolas particulares de natação na cidade de Porto Alegre – RS. A amostra se compôs de um total de 6 professores de 5 escolas particulares de natação em diferentes locais de Porto Alegre – RS, no qual dos 6 professores 4 são do sexo feminino e 2 são do sexo masculino, na faixa etária entre 20 e 45 anos. Os dados foram obtidos através de um questionário validado por dois profissionais da área, contendo 8 questões, fechadas  e abertas, versando sobre os objetivos específicos de estudo. A investigação revelou pouco conhecimento dos professores de natação para bebês, que participaram dessa amostra  sobre a psicomotricidade relacional e funcional no meio líquido. Portanto, fica uma reflexão sobre os resultados encontrados neste estudo, que o tema desta pesquisa ainda precisa ser mais discutido e refletido, pois são poucas as pesquisas que contribuam para legitimação dessa área de estudo, assim com a necessidade destes professores de uma formação continuada.
Palavra-chave: Professor – Natação – Bebê – Psicomotricidade.

*Trabalho de conclusão de curso de pós-graduação em Psicomotricidade da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA.
1 Pós-graduando de Psicomoticidade da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA, Canoas, RS.
2 Professora Mestre e docente Universidade Luterana do Brasil – ULBRA.
 
1 INTRODUÇÃOA Psicomotricidade nasceu num determinado momento na França, aonde era a época do entusiasmo educativo e terapêutico, o grande momento da pedagogia do movimento: estava surgindo uma nova ferramenta de auxilio a criança. E este marco foi graças aos pensadores Soubiram, Diamand, Vayer, Lê Boulch, Lapierre, Azemar e muitos outros (AUCOUTURIER, DARRAULT & EMPINET, 1986).Depois de um levantamento histórico bibliográfico sobre a Psicomotricidade, descobriu-se que o corpo humano sempre foi valorizado desde a antiguidade. O povo grego tinha na sua cultura a veneração demasiada e esplendorosa ao corpo, e se percebia principalmente em relação às imagens das culturas sempre presentes em locais públicos. Nos pensamentos e concepções de vários filósofos estava presente o dualismo, corpo e alma (MACHADO & TAVARES, 2010).

Como a Psicomotricidade já tinha surgido há muito tempo atrás, quando alguns professores de educação física sentiram uma necessidade de um progresso evolutivo de seus preceitos, que eram mecanicistas e centralizados no bom desempenho, então os mesmos começaram a introduzir nos seus princípios pedagógicos educativos uma aproximação mais relacional entre professor e aluno, aluno e aluno, professor e professor, e através da escuta, necessidade e motivação eram feitas estas interações, ou seja, a Psicomotricidade foi inserida juntamente com a disciplina de Educação Física (AUCOUTURIER, DARRAULT & EMPINET, 1986).

Para Mello (2002) a Psicomotricidade foi a primeira ciência que abordou e incluiu o desenvolvimento afetivo, cognitivo e social como uma das preocupações na aula de Educação Física, sem deixar de lado o seu foco a educação pelo o movimento. Segundo o autor foi apresentado no primeiro Congresso Brasileiro de Terapia Psicomotora a definição para esta ciência “… é uma ciência que tem por objetivo o estudo do homem, através do seu corpo em movimento, nas relações com seu mundo interno e externo”.

A Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (2010) define a mesma como uma “ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto”.

A partir de todos estes anos se dedicando a estudos, pesquisas e relatando casos que esta ciência, a Psicomotricidade, vem crescendo nas suas três grandes vertentes: a reeducação, segundo, Meur (1991), “é dirigida para crianças que sofrem de perturbações instrumentais (dificuldades ou atrasos psicomotores)”; a terapia conforme Mello (2002), “sendo indicada para crianças com grandes perturbações e cuja adaptação e de origem neurológica”; e a educação para Meur (1991), tem como objetivo o desenvolvimento psicomotor da criança com finalidade de leva-lá a dominar o próprio corpo e adquirir movimentos voluntários.

A Psicomotricidade além de ter estas vertentes, dentro destas se encontra duas linhas, sendo uma a Funcional e a outra Relacional. E qualquer uma delas tem seus seguidores, pensadores e pesquisadores.

No que se refere a funcional o objetivo é melhorar o desenvolvimento corporal e físico, tanto quanto se colocaram como pré-requisito para aprendizagem da escrita e da leitura, recomendando testes de avaliação, diagnósticos e prescrição de exercícios para desenvolvimento das diferentes habilidades corporais, e o trabalho da concepção funcional se baseia nos fundamentos psicomtores (ALMEIDA & TAVARES, 2010).

De acordo com Machado e Tavares (2010) de maneira geral a Psicomotricidade Funcional objetiva a inteiração corporal para que a criança ou o sujeito obtenha a alcançar o desenvolvimento global por intervenção do trabalho de certos fundamentos psicomotores específicos de acordo com as necessidades e particularidades de cada um.

Já a Psicomotricidade Relacional é uma das concepções que o principal conteúdo desta técnica é o jogo livre e espontâneo, pois este prioriza o relacionamento entre as crianças e a exteriorização das experiências, aonde se criará opções de novas aprendizagens de habilidades e destrezas, e também de valores necessários para o convívio em grupo como respeito e cooperação, contribuindo para o caráter de sujeitos socialmente ativos (BRIZA & ALBUQUERQUE, 2007).

Sendo a educação uma das vertentes da psicomotricidade, a mesma é utilizada por profissionais da educação física em diferentes contextos, como por exemplo, no ensino e aprendizagem da Natação para diferentes públicos, mas especificamente a natação para bebês que é o foco deste estudo.

A cada dia que passa aumenta a prática de natação para bebês, sendo a notoriedade a busca por parte dos pais de um ambiente aquático onde essa atividade transcorra. Se a procura desta atividade é grande e a cada dia aumenta mais pela sua procura, então nos questionamos, por que o trabalho de natação para bebês é tão pouco divulgado, tanto em obras literárias como em artigos científicos (CORRÊA, 2002).

Nos últimos tempos a população vem tendo consciência da importância de uma atividade física diária para a manutenção da saúde. Os pais mais conscientes já priorizam desde cedo os seus filhos a realizarem alguma atividade que proporciona a melhora da saúde física e mental, aonde estas irão evoluindo conforme o seu desenvolvimento cronológico, biológico, cognitivo, social, afetivo e motor.

Dentre as atividades para bebês e crianças, a que vem crescendo é a natação, porque esta apresenta vários benefícios realizados dentro do meio aquático e algumas delas são: baixa gravidade – o corpo pesa apenas 10% do peso que tem fora da água, resistência da água – fortalece a musculatura, o coração funciona com maior eficiência e aumenta a capacidade respiratória em 60% (CORRÊA, 2002).

O conceito do nadar não é o mais usado pela natação tradicional, mas aqui é entendido como qualquer ação motora que o sujeito experimenta intencionalmente para propulsionar-se através da água (FREUDENHEIM, GAMA & CARRACEDO et al., 2003 apud LANGENDORFER, 1986). Por isso, o termo natação para bebês é utilizado neste estudo.

A estimulação aquática infantil tem por objetivo estimular o individuo de forma que por meio destes movimentos aprenda a se conhecer, a criar e a desenvolver suas habilidades de uma forma lúdica e com prazer, porque as atividades no meio aquático oferecem vivências e experiências distintas das praticadas em terra (CUSTÓDIO, 2009).

Segundo Damasceno (1997), “a psicomotricidade e natação estão inter-relacionadas e confundidas como aspectos indissociáveis de uma mesma realidade”.

No entendimento de Fonseca (2002), o fundamento sensorial e psicomotor, é diferente quando o individuo esta ou permanece na água do que na terra, pois a especificidade de uma nova aprendizagem postural e motora naquele envolvimento é mais expressiva e exploratória possível.

Entretanto, Velasco (1997) ressalta que o aprendizado no ambiente aquático não pode acontecer sem antes constatar as condições de segurança, de conforto e de prazer, pois sem estes três adjetivos não à como realizar uma sessão de psicomotricidade infantil. O ambiente deve ser o mais agradável possível para que tenha uma boa organização dos componentes psicológicos, num modo harmonioso e funcional.

Para a referida autora o meio líquido põe uma nova condição arquitetônica psicomotriz, constrói na base uma integração polissensorial que difere da motricidade na terra. Na água a integração sensorial tem de ser aprendido, o que dá explicar previamente que tal integração se realize no cérebro do bebê ou da criança que prática natação.

Então pode se ressaltar que o aprendizado no meio líquido para bebês não se contém só no fato que a criança aprenda a nadar, mas com certeza outro grande benefício, o acionamento do método avançado psicomorfológico da criança, ou seja, auxiliando o desenvolvimento de sua psicomotricidade e fortalecendo o início de sua personalidade (DAMASCENO, 1997).

Nesse processo se faz fundamental a ação do professor de Educação Física, seu conhecimento sobre objetivos, métodos e avaliação. Sendo assim o professor deve conhecer e entender as metodologias adotadas para auxiliar no desenvolvimento dos alunos.

A partir de tais considerações este estudo pretende responder ao seguinte questionamento: Qual a percepção dos professores de natação para bebês sobre a psicomotricidade relacional e funcional no meio líquido?

Objetivo geral: Analisar a percepção dos professores de natação para bebês sobre a psicomotricidade relacional e funcional no meio líquido. Objetivos específicos: Identificar o conhecimento dos professores de natação para bebês sobre a psicomotricidade no meio líquido; Identificar o conhecimento dos professores de natação para bebês sobre a psicomotricidade relacional e funcional no meio líquido e verificar a utilização de metodologias fundamentadas em uma das linhas da psicomotricidade.

2 METODOLOGIA

Este estudo caracterizou-se como sendo do tipo descritivo (LAKATOS & MARCONI, 2003), que teve a intenção de analisar a percepção dos professores de natação para sobre a psicomotricidade relacional e funcional no meio líquido.

A população deste estudo foi constituída por professores graduados em Educação Física que atuam em escolas particulares de natação na cidade de Porto Alegre – RS. A amostra investigada foi constituída por um total de 6 professores graduados em Educação Física de 5 escolas particulares de natação em diferentes locais da cidade de Porto Alegre – RS, que trabalham ou trabalharam com bebês. No qual dos 6 professores 4 são do sexo feminino e 2 são do sexo masculino, na faixa etária entre 20 e 45 anos.

Para analisar a percepção dos professores de natação para bebês sobre a Psicomotricidade relacional e funcional no meio líquido foi aplicado um questionário validado por dois profissionais da área, contendo questões fechadas e abertas, versando sobre os objetivos específicos deste estudo.

Foram analisadas 8 questões na pesquisa, sendo que cinco categorias foram identificadas: conhecimento sobre psicomotricidade infantil; conhecimento sobre a psicimotricidade relacional e funcional; conhecimento sobre psicomotricidade no meio líquido; utilização das duas linhas da psicomotricidade nas aulas de natação para bebês e relação da metodologia com a aula prática.

O processo de coleta de dados ocorreu primeiramente através de uma pesquisa verificando as escolas particulares de natação da cidade de Porto Alegre (RS), mas especificamente as escolas que trabalham com bebês. A coleta foi realizada em diferentes bairros de Porto Alegre – RS de acordo com as características da amostra e disponibilidades dos sujeitos em responder o questionário. Após as visitas e contatos por telefone, com poucas respostas optou-se em enviar o questionário por e-mail obtendo assim um pouco mais de respostas.

Na seqüência, foi solicitada a escola de natação uma autorização para aplicar o questionário com o professor, com a finalidade de realizar o presente estudo. Com a autorização das escolas e dos professores o questionário foi aplicado. Durante este processo foi explicado individualmente aos professores de Educação Física os objetivos do presente estudo, bem como o preenchimento do questionário. O mesmo foi preenchido individualmente. Os professores autorizaram verbalmente o uso das respostas do questionário para a pesquisa.

Os resultados foram organizados a partir da análise descritiva, considerando a resposta nos questionários que foram dispostas em cinco categorias.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados foram apresentados de acordo com os objetivos específicos. Os mesmos foram organizados em cinco categorias.

Conhecimento sobre Psicomotricidade Infantil

Ao analisar a categoria relativa ao “conhecimento do professor sobre a psicomotricidade infantil”, observou-se que os professores 1, 2 e 4 consideram que a psicomotricidade infantil é o desenvolvimento afetivo, social, cognitivo e motor. Já o professor 5 não tem conhecimento na teoria, mas “na prática ele se garante”. O professor 3 respondeu que é o desenvolvimento humano. E o professor 6 relatou que a psicomotricidade é tudo aquilo que trabalha a coordenação motora, a socialização, o lúdico e as atividades que envolvem os sentidos.

As respostas dos professores 1, 2, e 4 corroboram em parte com a definição da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (2010), pois a mesma define como uma “ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. Nesse sentido, está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. É sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto”. Para esses sujeitos (1,2,e 4) o bebê é dotado de sentimentos que através do movimento exploram o mundo. O professor 3 também entende que o aluno é um ser integral dotado de diferentes domínios, enquanto que o professor 5 não tem conhecimento sobre o assunto e o 6 relata alguns aspectos da psicomotricidade infantil.

Cabe ressaltar que a psicomotricidade não é sinônimo de desenvolvimento humano, pois segundo a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (2010), esta ciência esta relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. E é sustentada por três conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o afeto.

Para Xavier e Ghinato (2010) a psicomotricidade é uma ciência que atende o individuo em qualquer faixa etária e tem como premissa básica o estudo do sujeito em relação ao seu desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo.

Em relação a isso Aucouturier, Darrault e Empinet (1986) também destacam que a psicomotricidade considera a criança como um ser global, pois ele tem sua própria palavra, que se manifesta sem cortes, empossando todos os parâmetros de seu meio. A sua conquista do mundo se faz sobre um fundo tônico-emocional, persistindo e tornando-se mais íntimo dependente de toda a sua história afetiva, mesmo a mais profunda.

Conhecimento sobre a psicimotricidade relacional e funcional

Com relação às respostas das questões na categoria acima, foi constatado que 4 professores têm conhecimento sobre psicomotricidade relacional e funcional e 2 não conhecem.

No que se refere à psicomotricidde relacional os professores 1, 2, 3 e 4 responderam que é o professor que conduz, pois o mesmo cria as possibilidades através dos materiais expostos para os alunos brincarem e jogarem, aonde através das interações entre o meio e o outro, irá manifestar comportamentos, ou seja, fazer o que tem vontade e através desta irão desenvolver seu gesto motor, afetivo, social e cognitivo tanto sozinho ou com o outro. O professor 2 complementa esta resposta com um relato importante “que os comportamentos devem ser analisados e considerados na próxima sessão”.  Os professores 5 e 6 responderam francamente que não conhecem as duas linhas.

Para Briza e Albuquerque (2007) a Psicomotricidade Relacional é uma das concepções que o principal conteúdo desta técnica é o jogo livre e espontâneo, pois este prioriza o relacionamento entre as crianças e a exteriorização das experiências, aonde se criará opções de novas aprendizagens de habilidades e destrezas, e também de valores necessários para o convívio em grupo como respeito e cooperação, contribuindo para o caráter de sujeitos socialmente ativos. Percebe-se que as respostas da maior parte dos professores conferem com que as duas autoras descrevem, mas destaca-se que o “jogo” é livre e espontâneo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (2010) as características da psicomotricidade relacional são: a criança pode brincar livremente, tem vários modelos, é mais independente, é vista como totalidade e decide o que fazer; o psicomotricista ajuda, compreende, interage, sugere, propõe, estimula a prática psicomotriz, pode atuar com o professor da classe e adota uma postura de escuta; e a sessão é com o paradigma naturalista, atividades livres e proporciona que ocorra o tão esperado, o contato corporal do psicomotricista com as crianças e entre elas.

O pesquisador André Lapierre acredita que o corpo não é essencialmente cognição, mas também o ponto de toda a sensibilidade, afetividade emoção da interação consigo e com o outro uma, pois são estes os comportamentos que devem ser proporcionados numa sessão de psicomotricidade relacional (MORO, et al, 2006).

Outro aspecto importante é que as sessões de psicomotricidade relacional têm uma organização (ritual de entrada, sessão propriamente dita e ritual de saída) onde combinações são feitas com os alunos e são retomadas no final.

Considerando ainda essa categoria, os resultados sobre a psicomotricidade funcional mostrou que os professores 5 e 6 também não tem conhecimento desta linha, mas já os professores 1, 2, 3 e 4 conhecem e descrevem que a funcional é linha que o professor orienta e conduz a sessão e as atividades, sendo que estas tem seus objetivos específicos, aonde trabalham os movimentos e atitudes que não foram manifestadas na bateria de testes aplicada no primeiro contato que o professor e o aluno tiveram. E por isso é considerada pelos sujeitos 1, 2, 3 e 4 uma linha que trabalha individualmente, ou melhor, professor e aluno, aluno por aluno.

A psicomotricidade funcional busca melhorar o desenvolvimento corporal e físico, tanto quanto se colocaram como pré-requisito para aprendizagem da escrita e da leitura, recomendando testes de avaliação, diagnósticos e prescrição de exercícios para desenvolvimento das diferentes habilidades corporais, e o trabalho da concepção funcional se baseia nos fundamentos psicomtores (ALMEIDA & TAVARES, 2010).

Para Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (2010) a característica principal da concepção funcional é despertar e trabalhar individualmente os fundamentos psicomotores na criança.

Conforme Machado & Tavares (2010), a concepção funcional objetiva a interação corporal para que a criança obtenha alcançar o pleno desenvolvimento global por intervenção do trabalho de certos fundamentos psicomotores específicos de acordo com as necessidades e particularidades de cada um.

Da mesma forma que a psicomotricidade relacional, a funcional também apresenta uma organização nas sessões (ritual de entrada, sessão propriamente dita e ritual de saída).

As duas concepções da psicomotricidade são diferentes, cada uma com os seus objetivos e seus benefícios, por isso cabe ao professor escolher em um determinado momento qual deve utilizar ou adotar uma que está mais relacionada com a sua filosofia de trabalho.

Conhecimento sobre a psicomotricidade no meio líquido

Quanto à categoria “conhecimento sobre a psicomotricidade no meio líquido” nota-se que há pouco entendimento dos professores sobre esta questão. Os professores 5 e 6 não souberam explicar. Já o professor 3 no seu entendimento é uma sessão que são proporcionadas atividades pelo professor, aonde se trabalha os domínios do desenvolvimento humano. O professor 4 respondeu que é uma ciência aonde à uma interação entre o sujeito e o meio, e o sujeito e o outro, ou seja, uma relação psicossocial. Na percepção dos professores 1 e 2 é um meio importante e possível para trabalhar o desenvolvimento integral da criança, pois é o primeiro contato da criança com atividade física, aonde provoca o crescimento dos sistemas, ludicidades, socialização, criatividade e motor. O professor deve estar atento na sessão, porque a criança fala com o corpo através das suas expressões, segundo a citação do professor 2.

O meio líquido propõe ao sujeito experiências e vivências inovadoras e diversas, o que favorece a percepção sensorial e a ação motora. Então, o desenvolvimento das capacidades psicomotoras como: coordenação, equilíbrio, esquema corporal, lateralidade, orientação espacial e orientação temporal, favorecem um bom desenvolvimento através da prática de atividades aquáticas (ARROYO & OLIVEIRA, 2007; VELASCO, 1997), o que confere com a resposta dos professores 1 e 2.

Segundo Cruz (2010) a psicomotricidade no meio líquido tem seus benefícios acionados devido ao fato da água, proporcionar experiências motoras impossíveis de serem realizadas na terra, mesmo antes de o bebê saber andar, aonde promove o desenvolvimento motor.

O aprendizado no meio líquido para bebês não se contém só no fato que a criança aprenda a nadar, mas com certeza outro grande benefício o acionamento do método avançado psicomorfológico da criança, ou seja, auxiliando o desenvolvimento de sua psicomotricidade e fortalecendo o início de sua personalidade (DAMASCENO, 1997).

Utilização das duas concepções da psicomotricidade nas aulas de natação para bebês (metodologia)

Ao analisar essa categoria observa-se que 5 dos professores dessa pesquisa utilizam as duas linhas da psicomotricidade. O professor 1 mesmo trabalhando com as duas linhas, ele prefere trabalhar com a relacional quando se trata de alunos bebês, mesmo que algumas escolas e pais acreditam no modelo tradicional, porque estes querem aulas orientadas e que o aprendizado seja com método imediato. Já os professores 2, 4, 5 e 6 trabalham com as duas linhas, mas em momentos diferentes na sessão. E em termos de exemplo todos os professores concordaram em distribuir vários tipos de brinquedos e materiais e deixando as crianças a explorar estes. Apenas o professor 3 utiliza a funcional, pois em sua aula trabalha num primeiro momento com o desenvolvimento dos movimentos gerais (fase de adaptação) e no segundo momento os movimentos específicos dos nados.

Referente às respostas dos professores sobre esta categoria, Custódio (2009) cita que não importa qual será a escolha entre as duas concepções, o essencial é propor à criança estímulos convenientes para que suceda o desenvolvimento total psicomotor.

As respostas da grande maioria dos professores sobre esta categoria vão ao encontro do pensamento de Damasceno (1997), pois o mesmo acredita que qual seja a escolha das duas concepções o interessante é que os objetivos do professor coincidam com a real necessidade da criança. Esse pensamento se destaca ainda mais quando estamos trabalhando com bebês.

No conceito sobreposto com as citações dos professores perante a quarta categoria, o desejo é que os professores saibam da dimensão do desenvolvimento psicomotor, pois qualquer uma das concepções oferece fundamentos metodológicos para uma boa aprendizagem (VELASCO, 1997).

Relação da metodologia com a aula prática

Os cincos professores que responderam que trabalham com as duas concepções da psicomotricidade, citaram nesta última categoria que utilizam brincadeiras, jogos e músicas como exemplo de aula na linha relacional. Já o professor 3, que é o único que trabalha só com a linha funcional, pois o mesmo executa atividades objetivas em circuito para que todos os seus alunos realizem a mesma tarefa. Os professores 1, 2, 4, 5 e 6 que trabalham com as duas linhas, utilizam na funcional exercícios em circuitos, exercícios com repetições e alguns destes com o auxílio do comando das músicas.

O importante neste caso é que o professor desenvolva uma metodologia que de valor ao aspecto lúdico, ou seja, que propicie vivências prazerosas e agradáveis. Permitindo a brincadeira com a água e na água, e num sentido que os materiais pedagógicos sejam brinquedos aquáticos e que tenham uma função fundamental, porque além de motivarem, que ajudem intensamente no processo de aprendizagem para o alcance das habilidades aquáticas e também terrestre (LUZ, 2010).

Para Corrêa (2002) as aulas devem ter um método com aspecto lúdico, com utilização de atividades recreativas que facilitem a integração aluno-meio-professor. E automaticamente propondo e sugerindo através de jogos e brincadeiras, o desenvolver social e o processo de aprendizado.

Os professores devem selecionar para as suas sessões materiais que tenham o intuito de despertar a imaginação, já que o simbólico permite e é capaz de fazer que criança transite entre os jogos imaginários e representativos (XAVIER & GHINATO, 2010).

4 CONCLUSÃO

A partir dos resultados encontrados neste estudo destaca-se que a psicomotricidade no meio líquido, na população investigada, ainda precisa ser mais discutida e refletida, ainda são poucas as pesquisas que contribuam para legitimação dessa área de estudo relacionada à natação para bebês e a atuação do professor de Educação Física.

Os resultados apresentados no presente trabalho verificaram na primeira categoria, sobre o conhecimento sobre psicomotricidade infantil, que os professores consideram a psicomotricidade infantil o desenvolvimento afetivo, social, cognitivo e motor. Na próxima categoria, que é sobre o conhecimento das duas concepções da psicomotricidade, funcional e relacional, a maior parte dos professores conhecem. Já na terceira categoria sobre o conhecimento da psicomotricidade no meio líquido, mostra que a grande parte dos professores tem pouco entendimento sobre esta questão.

A quarta categoria questiona os professores sobre a utilização das duas concepções da psicomotricidade nas suas aulas de natação para bebês, e a maioria dos mesmos respondeu que utilizam as duas concepções. Na quinta e última categoria sobre a relação da metodologia com a aula prática, os professores responderam que na aula prática da relacional eles utilizam brincadeiras, jogos e músicas e na funcional utilizam atividades objetivas em circuito para que todos os alunos realizem a mesma atividade.

É por isso que quando se fala em aprendizagem da natação para bebês à fonte dos pressupostos expostos e dos conhecimentos da psicomotricidade não pode guiar-se como uma simples iniciação desportiva, na medida em que ela se obriga apoiar cientificamente e pedagogicamente no desenvolvimento psicomotor de um ser único em transformação, onde os fatores afetivos, cognitivos, social e motores devem ser respeitados criteriosamente, porque somente desta forma que tal aprendizagem irá colaborar para completa maturação da sua total dinâmica.
Nesse sentido, Barbosa (1999) relata que as aulas de natação para bebês deverão ter em vista objetivos de índole psicomotor, cognitivo e social, com o intuito de promover o desenvolvimento harmonioso e integral do sujeito. Assim, acredita-se que esta atividade pode auxiliar na segurança do bebê, evitando acidentes mais graves, e também proporciona ao bebê competências motoras na água que podem beneficiar o seu desenvolvimento integral.
Silveira & Nakamura (1998) destacam que a preocupação principal durante os exercícios não é de ensinar a criança a nadar, mas sim uma série de outros objetivos como: o desenvolvimento de sua capacidade psicomotora, equilíbrio emocional e a sociabilização.
Portanto, considera-se importante que os professores de Educação Física e pesquisadores desta área de atuação, continuem pesquisando e se aperfeiçoando, a formação continuada é fundamental para a qualidade do ensino.

REFERÊNCIAS

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Luiz Juvêncio Pereira Fagundes1
Marines Ramos2
*Trabalho de conclusão de curso de pós-graduação em Psicomotricidade da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA.
1 Pós-graduando de Psicomoticidade da Universidade Luterana do Brasil – ULBRA, Canoas, RS.
2 Professora Mestre e docente Universidade Luterana do Brasil – ULBRA.

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