Ajustes termorregulatórios durante o exercício realizado em ambiente quente

Ajustes termorregulatórios e endócrinos responsáveis pela manutenção da temperatura e equilíbrio hidroeletrolítico durante o exercício realizado em ambiente quente

Os seres humanos possuem mecanismos de termorregulação bem maduros, são assim denominados de homeotermos significando que sua temperatura interna é mantida constante durante sua vida. A temperatura corporal do ser humano, assim como os demais sistemas, funciona dentro de um equilíbrio.

No caso específico da temperatura corporal refletira um equilíbrio complexo entre o calor produzido e perdido. Podemos entender que, partindo da concepção de que todos os tecidos corpóreos produzem calor de modo a manter a temperatura interna ideal, que se ocorrer um desequilíbrio entre a quantidade de calor perdido e a produzida, os mecanismos internos de produção de calor serão solicitados a preservar esse equilíbrio.

Resumindo, a capacidade do homem de manter o equilíbrio da temperatura interna dependerá da quantidade de ganho de calor decorrente do metabolismo e da quantidade de calor que seu corpo perde para o meio ambiente. O corpo humano transfere calor para o meio ambiente de quatro formas: Condução, convecção, radiação e evaporação.

Já para manter o controle da temperatura o corpo faz uso dos termorreceptores, os quais detectam as mudanças da temperatura enviando informações químicas ao centro termorregulador, localizado no hipotálamo. Este órgão é que defini a temperatura ideal do corpo e trabalha mantendo o equilíbrio da mesma. Os termorreceptores são de dois tipos denominados de centrais e periféricos.

Os centrais localizam-se no próprio hipotálamo e mede a temperatura do sangue quando este circula no cérebro e os periféricos estão localizados na pele e medem a temperatura ao redor. Ambos permitem que o indivíduo tenha um controle voluntário sobre a sua exposição ao calor no ambiente ao perceber o aumento da sua temperatura corporal.

Quando o indivíduo encontra-se na prática de atividade física ocorre um aumento no metabolismo interno dos tecidos, já que a ação do movimento proporciona maior consumo de oxigênio, aumentando também o metabolismo celular e proporcionalmente a temperatura interna. O exercício vai aumentar as demandas do sistema cardiovascular, além de aumentar o consumo de glicogênio pelos músculos estriados esqueléticos.

Todas essas alterações se tornam mais elevadas quando o exercício é realizado em ambiente quente. Neste caso, ocorrem respostas fisiológicas a atividade física no calor. Quando o indivíduo necessita de regulação da sua temperatura na prática de exercícios em ambiente quente, o sistema circulatório transporta o calor produzido nos músculos para a superfície da pele onde ele pode ser transferido para o meio ambiente. No entanto, ocorre uma disputa de sangue pelos músculos ativos e pela pele.

Os músculos necessitam de sangue e oxigênio para manter sua atividade e a pele necessita de sangue para facilitar a perda de calor como mecanismo de termorregulação. Quando o sangue é direcionado para a pele ocorre o aumento da atividade das glândulas sudoríparas com o aumento da perda evaporativa de calor.

As glândulas sudoríparas são mais exigidas, quanto maior for a temperatura ambiente durante a atividade física já que, neste caso a perda de calor pela evaporação torna-se mais efetiva que as demais formas. Essas glândulas são controladas pelo hipotálamo sendo elas as responsáveis diretas pela formação do suor. Um outro fenômeno fisiológico ocorre envolvendo a produção de suor e a prática do exercício em ambientes quentes.

Quando a transpiração é leve, os mecanismos de produção do suor realizado pelas glândulas sudoríparas reabsorvem quantidades importantes de sódio e cloreto, importantes eletrólitos para o organismo humano. Contudo, quando a transpiração é intensa, fato que acontece principalmente em ambientes quentes, o suor é produzido mais rapidamente não dando tempo de reabsorção desses eletrólitos.

Neste contexto, quando o indivíduo está em treinamento sendo repetidamente exposto ao ambiente quente durante a atividade física ou podendo ser utilizada como mecanismo fisiológico endócrino, a aldosterona e o hormônio anti-diurético tem sua produção aumentada e diminuindo a perda desses eletrólitos na transpiração evitando a desidratação e expadindo o volume plasmático celular. Concluo que esses mecanismos são de fundamental importância para a integridade do indivíduo durante a prática do exercício físico em ambientes quentes.

O condicionamento dos indivíduos que praticam qualquer atividade em ambiente quente será proporcionado pelos mesmos mecanismos termorreguladores que descrevi. Nesses indivíduos a aclimatação ao calor ocorre com ação desses mecanismos proporcionando uma transpiração mais aumentada nas áreas mais expostas facilitando a dissipação do calor corporal, aumento da tolerância ao calor devido uma transpiração mais precoce proporcionando uma temperatura cutânea mais baixa.

Como a perda de calor é mais facilitada há necessidade de menor quantidade de sangue fluindo para a pele ficando uma maior quantidade para os músculos ativos, do mesmo modo o suor produzido é mais diluído conservando os estoques de minerais do corpo.

Esse efeito denominado de aclimatação decorre da eficiência dos mecanismos termorreguladores e endócrinos que mantém a temperatura e o equilíbrio hidroeletrolítico durante a prática da atividade física, principalmente no calor. Sendo esse conhecimento de importância ímpar para os profissionais que tem como responsabilidade a prescrição do exercício.


Texto:
Carolina Araújo Santana
Estudante de Educação Física da Facsul – Faculdade do Sul da Bahia
Itabuna – BA

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