Anorgasmia e exercícios

A anorgasmia ou disfunção orgásmica, na mulher, é a falta de sensação de orgasmo na relação sexual. Pode ser primária, quando a mulher nunca teve orgasmo, ou secundária, quando tinha orgasmos e passou a não tê-los mais. Ainda pode ser classificada em absoluta, quando a anorgasmia ocorre sempre, e situacional quando ocorre só em certas situações, constrangedores ou desfavoráveis. A mulher com anorgasmia tem desejo, aproveita as carícias e se excita, porém, algo a bloqueia no momento do orgasmo.

As causas da anorgasmia são inúmeras e complexas, principalmente, de origem psicológica, mas, existem alguns problemas clínicos e orgânicos (anatômicos) que também podem causar anorgasmia, como por exemplo, a forma da vagina, do útero ou dos músculos que formam a região pélvica (região onde se situam os órgãos genitais). Segundo pesquisas recentes realizadas pelo Instituto Kaplan, centro de estudos da sexualidade humana de São Paulo, a cada 100 mulheres que procuram tratamento, 70 reclamam que não conseguem orgasmos.

Pesquisas realizadas pelo Hospital das Clínicas de São Paulo também revelam que cerca de 75% das mulheres apresentam anorgasmia. Sua incidência varia com o nível sociocultural, mas é a primeira queixa de disfunção feminina. Nas classes socioeconômicas inferiores encontrou-se, nas estatísticas citadas acima, a taxa de 40% de anorgasmia, contra 20% nas camadas de maior poder aquisitivo. Quanto ao aspecto sociocultural, foi obtido incidência de 42% de mulheres anorgásmicas com graus de escolaridade até o primeiro grau incompleto, contra apenas 10% nas estudantes dos últimos anos de faculdades de medicina e psicologia. Portanto, quanto menor o grau de cultura e escolaridade, maior é o grau de insatisfação entre as mulheres.

A ausência de orgasmo pode atingir qualquer faixa etária, mas há maior predomínio em mulheres jovens, devido ao início da atividade sexual, onde a falta de experiência dificulta a chegada ao clímax. Os sexólogos dizem que, na maioria dos casos, a capacidade orgásmica tende a aumentar com o passar dos anos e chega ao máximo por volta dos 35 anos. Vários pesquisadores aventaram a hipótese que os músculos do períneo, que devem ser ativados.

O pioneiro das técnicas de reeducação perineal foi Arnold Kegel, que, em 1948, propunha tratamento para a hipotonia do pavimento ou diafragma pélvico, principalmente, o músculo pubococcígeo e constatou que a disfunção orgásmica da mulher poderia ser em grande parte atribuída a diminuição ou prejuízo desta musculatura. Com bases em observações clínicas relatou que a sensação vaginal e a freqüência de orgasmo pode ser aumentada com a prática de exercícios perineais, que são designados para fortalecer o músculo pubococcígeo e são feitos pelas mulheres com contrações isométricas ensinadas pela fisioterapeuta em ritmo e intensidade adequadas para cada caso.

A Poortmans e colaborador, urologistas, da Universidade de Antuérpia, Bélgica, sugerem que se faça esses exercícios por estimulação elétrica com intervalos concatenados para evitar a fadiga muscular.

Referência:
Arch Phys Med Rehabil. 2002 Apr;83(4):550-4

Fonte:
Revista de Atualização Médica

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