Aula de running é a boa pedida para quebrar a monotonia da esteira

Um dos equipamentos mais usados nas academias sem dúvida é a esteira cujo objetivo é simular e/ou substituir as caminhadas e corridas que fazemos ao ar livre. Ela traz inúmeras vantagens tais como amortecer o impacto, possibilitar um treinamento mais seguro, corrigir o gesto esportivo e melhor controlar a intensidade do esforço. Entre as raras desvantagens algumas pessoas citam a monotonia em fazer sempre a mesma coisa no mesmo lugar.

 Eis a questão. Da mesma forma que a bicicleta ergométrica tradicional pode levar as pessoas à mesmice concordo que a esteira também pode. Entretanto, as aulas de Spinning que permitem manobras simulando as dificuldades enfrentadas numa corrida de bicicleta, na estrada na esteira também é possível simular as dificuldades da atividade de caminhar e/ou correr na rua tais como subir ladeiras e as variações de velocidade. Esse tipo de treino já existe nas academias com o nome de Running e como se trata de uma atividade sem pai cada um dá o nome que quiser de acordo com o seu público alvo e interesse particular.
A diferença é que se trata de uma aula previamente preparada pelo professor imaginando um percurso qualquer na rua e suas dificuldades acompanhadas de música com ritmo próprio para andar e/ou correr no plano, nas ladeiras e como na esteira não existe a possibilidade de simular uma descida aumenta-se a velocidade por alguns minutos que é o popular tiro ou estímulo do intervalado. No plano usa-se música tipo dance, na subida ritmos mais lentos bem marcados e nos tiros de velocidade músicas mais aceleradas tipo rock. Claro, embora gosto não se discuta o professor ao selecionar a trilha musical deve apelar para o bom senso e usar músicas populares e alegres ou de acordo com o perfil dos alunos. Um bom parâmetro é seguir a média de idade da turma escolhendo as músicas dos anos 60, 70, 80 e 90.

O importante dessas aulas de Running é não se perder o fundamento. Por exemplo: ao selecionar uma ladeira com inclinação de 2% usando música que vá durar três minutos se o aluno cansar no meio do caminho não deve mexer na inclinação uma vez que está simulando um caso real de uma ladeira a qual deverá ser vencida porque a ladeira não vai sair do caminho. É permitido diminuir a velocidade o quanto for necessário como aconteceria numa situação real.

Na verdade o fundamento das aulas de Running não deixa de ser o intervalado, um dos métodos mais conhecidos e usado em qualquer modalidade esportiva. Devido a sua larga aplicação no desenvolvimento da resistência aeróbia e/ou anaeróbia, o método é usado até para as pessoas comuns que procuram o prazer na atividade física.

A História – É impossível falar de intervalado sem lembrar de Emil Zatopek, a “locomotiva humana” como ficou conhecido nos anos 50 e morreu em 2000. Um fantástico corredor tendo escrito seu nome na história por ter vencido na mesma Olimpíada, Helsinque 52, as provas de fundo dos 5.000, 10.000 metros e a maratona. Foi também o marco do treinamento científico, pois a sua façanha deveu-se à base dos seus treinos calcados em Intervalado. O pai deste método, entretanto foi Woldemar Gerschller que, em 1939 usou o atleta Harbig como cobaia levando a quebra dos recordes mundiais da época nos 400 e 800 metros.

Depois da Segunda guerra mundial Hroni, treinador de Zatopek aplicou com inovações o método com ótimos resultados. Zatopek chegava numa seção de treino a dar 70 “tiros” de 200 metros. Hoje todas as modalidades esportivas empregam o método com ótimos resultados.

Todo mundo faz – O treinamento intervalado não é destinado só para os atletas sendo indicado tanto para fins de performances como terapêuticos. Um cardiopata que anda, pára para descansar, anda de novo e assim sucessivamente, está realizando um treinamento intervalado. Portanto, o primeiro treino para a recuperação, tanto das habilidades funcionais como do desempenho. Embora as aulas de Running ofereçam inúmeras vantagens ela não é a solução de tudo e deve ser incluída numa programação semanal fazendo um tipo de treinamento diferente a cada seção mesmo na esteira. Quem treina três vezes por semana pode um dia treinar resistência com treino contínuo, outro dia a velocidade com um treino mais curto e mais rápido e o terceiro dia o running desenvolvendo e explorando as três valências físicas importantes do ser humano: força, resistência e velocidade.

Para Refletir: Nossos medos e verdades ficam escondidos na escuridão. Basta uma luz por menor que seja para revelar a nossa sombra. Quem tem medo dessas verdades apague a luz. (Moraes 2010)

Sobre a Ética: Os conceitos éticos mudam de tempos em tempos porque a ciência e a sociedade também evoluem. (Moraes 2010).

Leitura sugerida:

VOLKOV, Nicolai Ivanovich – Teoria e Prática do Treinamento Intervalado no Esporte – Editora Multiesportes.

REIS, Marcos Paulo, GOMES Emerson e ROSA Fabio – Programa de Caminhada e Corrida – Editora Abril.

MORAES, Luiz Carlos – Como se preparar para a São Silvestre, correndo na esteira. Disponível em: http://revistacontrarelogio.com.br/materia/como-se-preparar-para-a-sao-silvestre-correndo-na-esteira/


Autor:  Luiz Carlos de Moraes – CREF1 RJ 003529-P/R

E-mail: lcmoraes@compuland.com.br

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *