Beleza tem grande importância na vida de universitários

Universitários de classes sociais mais altas dão importância exagerada à beleza. A beleza é altamente valorizada por universitários, principalmente entre os que pertencem a classes sociais mais abastadas. Essa foi uma das conclusões a que chegou a psicóloga Flávia Maria Campos em sua dissertação de mestrado defendida no Instituto de Psicologia (IP) da USP. Flávia avaliou hábitos e crenças relativos à beleza em 38 estudantes – com números iguais de homens e mulheres – escolhidos aleatoriamente em uma universidade privada de Ribeirão Preto. “O modelo de beleza valorizado foi praticamente o mesmo, no qual todos ficam tentando se encaixar, sem aceitação de diferenças”, diz.

Para Flávia, esse quadro configura-se numa verdadeira “ditadura da beleza”, questão que ocupa cada vez mais espaço na vida das pessoas e, em muitas delas, causa elevado sofrimento psicológico. “A insatisfação com o corpo decorre da dificuldade de se encaixar nos padrões de beleza estabelecidos pela sociedade, sobretudo por intermédio da mídia”, relata Flávia.

A atuação dos veículos de comunicação na homogeneização da beleza brasileira é comprovada por um dado curioso da pesquisa: ao serem convidados a apontar um modelo estético ideal, os entrevistados, em sua grande maioria, citaram o nome de artistas constantemente exibidos pela televisão, jornais e revistas – Rodrigo Santoro e Reinaldo Gianechinni, para os homens, Daniela Cicarelli e Gisele Bündchen, para as mulheres.

Silhuetas

Um aspecto inovador do estudo é a escala de silhuetas. A pesquisadora elaborou quatro tipos, para homens e mulheres, que representavam corpos magro, normal, forte e com sobrepeso. Flávia pediu para que os universitários apontassem, primeiramente, a silhueta que possuem e, depois, a que gostariam de possuir. “A maioria dos estudantes identificou-se atualmente com a silhueta média (53%), seguida pela silhueta magra (26%).

A silhueta média também foi a mais desejada (47%), sobretudo pelas mulheres, seguida pela silhueta musculosa (39%) – preferida pelos homens. Ninguém manifestou desejo pela silhueta com sobrepeso”, revela. Apesar de mais da metade dos universitários classificar como média sua forma física, Flávia observou que 84% deles fazem constantemente dietas de emagrecimento. “A excessiva preocupação com a beleza é colocada pela sociedade como algo natural, mas não é.

Ou podemos considerar como uma atitude normal uma pessoa passar fome para emagrecer cada vez mais e mais?”, questiona a pesquisadora.

Narcisismo

A pesquisa de Flávia também apontou, nos estudantes entrevistados, níveis de narcisismo (substantivo originado na história de Narciso, que, segundo a mitologia grega, viu sua própria imagem refletida num lago e, apaixonado, se jogou em suas águas). “As pessoas da classe A foram as que mais se preocuparam com a auto imagem.

Conseqüentemente, também foram as que revelaram gastar mais dinheiro com cuidados com o corpo e a beleza, e mais horas de academia e exercícios físicos.” A psicóloga reconhece que a grande discussão proporcionada por seu trabalho é a necessidade de se mudar o estigma social que dá mais valor à beleza do que ao próprio ser humano.

Segundo Flávia, também se deve pensar em formas de combate à homogeneização da beleza, ainda mais num país como o Brasil, cuja população é formada por uma grande miscigenação de raças e condições sócio-econômicas completamente distintas. “Devemos valorizar todas as formas de beleza, e não ficar presos a um único padrão.”

Texto:
Tadeu Breda

Fonte:
USP Notícias

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