Cafeína induz desenvolvimento de osteoporose

Cobaias que ingeriram café tiveram perda significativa de cálcio Entre ratos, houve uma perda de 5% em osso analisado e um aumento de 21% na incidência de cálcio na urina, valores muito altos para um animal com estrutura óssea pequena e para o pouco tempo de estudo.

A cafeína é um grande indutor da osteoporose. A conclusão é de uma pesquisa feita no Departamento de Morfologia, Estomatologia e Fisiologia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP. Os pesquisadores notaram que cobaias adaptadas à ingestão de café tiveram uma perda significativa de cálcio nos ossos. Inicialmente, um casal de ratos teve paulatinamente o hábito de tomar água substituído pelo de ingerir café.

Em seguida, as cobaias foram postas para cruzamento. Os filhotes, que já nasceram adaptados ao consumo de café, foram o alvo do estudo. A ninhada foi comparada a um grupo de ratos nas mesmas condições, mas cuja fonte de líquidos era a água. “A idéia foi fazer com que os ratos tomassem café em quantidades relativas se comparadas ao ser humano. No caso, foi dosada uma dieta de cinco xícaras de café por dia”, afirma a professora Suzie Aparecida de Lacerda, uma das pesquisadoras do grupo. As cobaias não receberam nenhuma fonte de cálcio por meio de alimentos.

Aos seis meses de vida, foi feita uma extração de dente para analisar o processo reparatório e, dois meses depois, parte de um grupo de machos e fêmeas foi sacrificada para se analisar a dosagem de cálcio no osso, no sangue e na urina. Os primeiros resultados foram surpreendentes. Os dados referentes à análise dos machos sacrificados apontaram para perda de cálcio de 5% no osso analisado e aumento de incidência de cálcio na ordem de 21% na urina, que corresponde à perda de cálcio de toda a estrutura óssea. “Isso demonstra claramente que o cálcio estava sendo eliminado.

É muita perda para um animal com estrutura óssea pequena e para o pouco tempo de estudo”, afirma a professora Suzie. Outro grupo de fêmeas, que não teve sacrifífio de animais, está servindo de base para uma segunda etapa da pesquisa. Aos seis meses, elas foram castradas para estimular a disfunção hormonal, que no ser humano é um importante fator indutor de osteoporose. Os estudos prosseguem para se conhecer, nessa etapa da vida, a incidência da osteoporose associada à ingestão de café.

Opiniões divididas

A literatura médica está dividida entre os que afirmam e os que negam que o café facilita o aparecimento da doença. Foi essa dúvida que suscitou os professores pesquisarem o assunto. “Os médicos que citam as causas para o surgimento da osteoporose, quando indicam a cafeína, a colocam bem lá embaixo na lista. Vimos que não é bem assim”, analisa o pesquisador Plauto Watanabe. A relação entre a pesquisa com ratos e os seres humanos, no entanto, ainda é precoce.

“Não podemos garantir que a incidência de osteoporose provocada pela ingestão de cafeína aconteça nas mesmas proporções das que ocorreram nos ratos em laboratório. Outros fatores precisam ser considerados, como sedentarismo, café associado ao cigarro, e quantidade de ingestão de leites e derivados”, ressalva Watanabe.

Fonte:
Agência USP de Notícias
Serviço de Comunicação da USP-Ribeirão Preto

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