Jun 30

Força: Mulher x Homem

A diversidade entre os seres humanos sempre foi alvo de estudos / discussões e os temas variam desde humor negro até questões biológicas e sócio-culturais. Uma das maiores controvérsias acontece quando comparamos homem e mulher, tanto que o conceito de gênero surgiu em função (entre outros motivos de ordem política) da subordinação e da desigualdade existente nas relações entre os sexos.

Durante muito tempo as mulheres foram consideradas seres inferiores física e intelectualmente, sendo submetidas a uma condição de subserviência. Para elas eram reservados os papéis de esposas e mães, não possuíam o direito de estudar ou trabalhar, não podiam votar ou debater temas como violência e sexualidade. Continue reading

Jun 29

Sinalização molecular para hipertrofia

hipertrofiainformacoesO interesse por séries de treinamento, exercícios e métodos eficientes para um bom desenvolvimento muscular desvia a atenção de profissionais e entusiastas do treinamento de força do que acontece no interior da fibra muscular, sendo este conhecimento de fundamental importância na determinação das variáveis que envolvem a prescrição do treinamento. Antes de pensarmos em séries, exercícios, métodos, precisamos fazer uma pergunta, como acontece a hipertrofia muscular?

O músculo esquelético é um tecido maleável capaz de alterar o tipo e a quantidade de proteína em resposta a desvios na homeostase celular. O complexo processo de adaptação induzido pelo exercício envolve mecanismos específicos de sinalização, replicação de seqüência de DNA, uma subseqüente tradução do código genético em uma série de aminoácidos para criar novas proteínas. As conseqüências funcionais dessas adaptações são determinadas pelo volume de treinamento, intensidade e freqüência, e a meia-vida da proteína. Além disso, muitas características de adaptação de formação são específicas para o tipo de estímulo, tal como o modo de exercício. (Coffey et al., 2007) Continue reading

Jun 28

Gorduras – digestão, absorção e metabolismo

Os lipídeos compõem-se de átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio, e são indispensáveis à diversas estruturas celulares e vias metabólicas, estando presentes em diversas formas no corpo humano, com destaque para: triglicérides, colesterol e ácidos graxos.

Digestão e absorção

Mais de 90% de nossa ingestão de lipídeos é feita sob a forma de triglicérides (compostos de três moléculas de ácidos graxos e uma de glicerol). Depois de ingeridas, as gorduras chegam ao duodeno praticamente inalteradas. No duodeno libera-se a colicistocinina que induz a contração vesicular, resultando na excreção da bile, e promovendo a liberação do suco pancreático, rico em lipase, enzima que fraciona a gordura em partículas menores.

Os produtos da digestão de triglicérides (ácidos graxos, monoglicerídeos, poucas quantidade de glicerol…) tendem a aglomerar-se e formar micelas, ocorrendo posteriormente sua absorção.

Após a absorção, os produtos da digestão de lipídeos, são novamente convertidos em triglicérides e empacotados em partículas de lipoproteínas (quilomícrons e VLDL) que caem na circulação. Ao passar pelos capilares de determinados tecidos, especialmente no tecido adiposo, os triglicérides destas partículas são novamente dissociados em ácidos graxos livres e glicerol. Os ácidos graxos são absorvidos pelos tecidos onde formarão novos depósitos de gordura, enquanto o glicerol é transportado para o fígado ou rins, onde será armazenado ou metabolizado. Em nosso corpo existem células especializadas em armazenar gorduras, são as células adiposas (adipócitos), que chegam a ser compostas de 95% de gordura, na forma de triglicérides. Continue reading

Jun 28

Teste de uma repetição máxima (1RM). Por que fazer?

O teste de uma 1 RM (uma repetição máxima) tem o objetivo de encontrar a carga máxima com que o indivíduo conseguiria realizar apenas uma repetição de determinado exercício.

Dentre as supostas limitações do teste está o seu uso em crianças, idosos e cardiopatas. Justificando sua aplicabilidade está o (suposto) papel essencial na prescrição de exercícios, para se determinar uma carga “ideal” de treino. O interesse pelo 1RM é tamanho que já foram formuladas algumas dezenas de fórmulas para descobrir o seu valor, sem que seja necessária a realização do esforço máximo propriamente dito.

Apesar das opiniões correntes, algumas observações podem ser feitas em relação às suas limitações e aplicabilidade. Continue reading

Jun 28

Aquecimento x alongamento: uma revisão nos conceitos

As duas técnicas são muito diferentes, mas muita gente as confunde

O alongamento é largamente utilizado como parte do processo de aquecimento nas mais diversas práticas de atividade física, geralmente com três objetivos principais: aquecimento geral, meio para evitar lesões e meio para melhorar a performance esportiva. (2, 22, 23, 27)

Diversos autores e profissionais da área esportiva recomendam o alongamento antes do exercício, com ou sem algum outro tipo de intervenção, para prevenção de lesões (32), baseados na premissa de que se um indivíduo realizar alongamentos regularmente sua flexibilidade aumentará e, assim, a incidência de lesões musculares será menor. (33)

Esta é a “pedra fundamental” que sustenta o argumento daqueles que defendem a prática do alongamento, o fato da prática promover um aumento da amplitude de movimento articular. Segundo esta hipótese, quanto maior for a flexibilidade de um indivíduo, menor será a incidência de lesões.

Existem diversos protocolos de alongamento, dentre os quais os três mais utilizados são: alongamento estático, alongamento dinâmico e facilitação neuromuscular proprioceptiva (PNF – Proprioceptive Neuromuscular Facilitation) (1, 2, 13, 14, 23). Este estudo irá analisar o alongamento estático, que é largamente utilizado devido a sua praticidade e facilidade de execução (1, 2, 13, 14, 23). Continue reading

Jun 28

Aeróbio e Musculação

A busca pela ciência não significa abandono do pensamento próprio nem mesmo da intuição, a leitura de um artigo nada vale sem a visão crítica do leitor. Normalmente os autores de artigos ou qualquer material para estudo não objetivam botar um ponto final na discussão, mas sim alimentar a chama que impulsiona a obtenção dos conhecimentos. Com a discussão sobre aeróbios e musculação a postura não deve ser diferente… Há muita dúvida acerca do tema, basicamente faz-se duas perguntas: “O aeróbio atrapalha a musculação?” ou “Qual a melhor ordem das atividades: aeróbio antes ou depois?” Continue reading

Jun 27

Propriocepção na reabilitação e prevenção de lesões no esporte – Parte 2

proprioceptionClique aqui para ler a primeira parte deste artigo.

Propriocepção e lesões de tornozelo

Uma das lesões mais comuns no meio esportivo é o entorse de tornozelo em inversão (ou lateral), e estima-se que entre 70-80% dos atletas acometidos por essa lesão sofrerão um entorse recorrente. Sinais de instabilidade residual ocorrem em 20-40% dos indivíduos após terem sofrido esse tipo de entorse, e essa instabilidade a longo prazo pode predispor ao surgimento de artrose na articulação do tornozelo(1). A instabilidade residual parece ser a principal causa da recorrência do entorse em inversão, sendo que essa instabilidade pode ser de origem mecânica ou funcional(2).

A instabilidade mecânica ocorre quando existe uma anormalidade anatômica da articulação do tornozelo, como por exemplo uma frouxidão ou movimentação excessiva da articulação subtalar, talocrural ou tibiofibular, resultante de danos ligamentares da articulação(2). Já a instabilidade funcional é descrita como uma sensação de “falseios” ou instabilidade do tornozelo(3) que ocorre sem necessariamente uma lesão ligamentar, mas que pode estar relacionada com danos nos mecanoreceptores dos ligamentos laterais ou tendões de músculos adjacentes ao tornozelo, o que acaba interferindo negativamente no reflexo proprioceptivo. Mais da metade dos pacientes com instabilidade crônica do tornozelo não tem evidência clínica ou radiológica de instabilidade mecânica. Continue reading

Jun 27

Hipertrofia sarcoplasmática x miofibrilar ‘2’

Apesar dos mecanismos bioquímicos e celulares responsáveis pelo processo de hipertrofia do músculo esquelético ainda não estarem totalmente compreendidos pela ciência, os resultados finais já estão devidamente documentados. Estes resultados se caracterizam por um aumento total no diâmetro do músculo esquelético, ou aumento da sua área transversa.

O mecanismo primário desta hipertrofia total é o aumento, em tamanho, das fibras musculares, que é promovida tanto pelo aumento da área de secção transversa da fibra, como pelo crescimento longitudinal. Este processo é a resposta do aumento no número e tamanho das proteínas contrateis, ou miofibrilas (actina e miosina), assim como um aumento no número de sarcômeros (FLECK & KRAEMER, 1999). Outro fator que contribui para a hipertrofia total do músculo esquelético é o aumento do volume sarcoplasmático, ou do seu conteúdo líquido. Continue reading

Jun 26

Treinamento feminino: menstruação e treinamento físico

Algumas mulheres atletas apresentam alterações na sua capacidade de desempenho em qualquer período do ciclo menstrual, sendo que muitas vezes ocorre uma diminuição considerável da performance em alguma fase do ciclo.

Antes de discutirmos a influência do ciclo menstrual na performance de atletas vamos relembrar as fases do ciclo menstrual:

1. FASE MENSTRUAL (FLUXO) – dura cerca de cinco dias, onde o endométrio (revestimento uterino) é descolado ocorrendo o fluxo menstrual.

2. FASE PROLIFERATIVA – o útero é preparado para a fertilização durante mais ou menos 10 dias. Nesta fase o endométrio fica mais espesso e os folículos ovarianos amadurecem, e termina quando um folículo amadurece e se rompe liberando o óvulo (ovulação). As fases 1 e 2 correspondem à fase folicular do ciclo ovariano.

3. FASE SECRETÓRIA – corresponde a fase lútea do ciclo ovariano e dura de 10 a 14 dias, onde o útero se prepara para a gravidez. Neste período o folículo está vazio (corpo lúteo), e neste mesmo período ocorre a secreção dos hormônios progesterona e estrogênio. Continue reading

Jun 26

Bases do treinamento pliométrico

Atividade ajuda a desenvolver os músculos em movimentos intensos

Quando exposto a uma velocidade intensa, o músculo acostumado a trabalhar em ritmo mais leve sente a diferença e tende a render menos. Para tentar aproveitar o contrário, uma das saídas mais eficazes é o treinamento pliométrico, que é baseado no conceito da especificidade e expõe o corpo a esforços exacerbados para prepará-lo de uma forma mais eficiente para as atividades normais. O exercício do treinamento pliométrico consiste em alongar rapidamente um músculo e imediatamente prosseguir com uma contração no mesmo músculo. Essas atividades facilitam a emissão de impulsos neurológicos e facilitam a realização de uma atividade em momentos de muita exigência. Se o músculo é rapidamente alongado, ocorre excitação dos motoneurônios alfa e o corpo recebe a diretriz para recuperar o músculo em questão, causando uma contração que tem velocidade proporcional à do alongamento. Continue reading