Cinco regras para monitoramento de frequência cardíaca

Os cientistas e os treinadores estão constantemente tentando encontrar formas de aperfeiçoar os treinamentos e torná-los mais eficientes. Muitas vezes, métodos ultrapassados ​​ou imprecisos são utilizados e podem refletir negativamente no desenvolvimento do atleta.

Tal é o caso com o monitoramento da frequência cardíaca.

A frequência cardíaca é uma variável fisiológica facilmente mensurável que é frequentemente utilizada para medir a intensidade de uma sessão de treinamento. Com o desenvolvimento dos monitores cardíacos precisos e com preços acessíveis, a popularidade do monitoramento da frequência cardíaca disparou.

Embora a frequência cardíaca possa ser uma ferramenta útil quando medida corretamente, existem muitos atletas que desenvolveram uma dependência de seu monitor de frequência cardíaca.

Vamos citar aqui alguns dos problemas potenciais associados com monitoramento da frequência cardíaca e fornecer algumas diretrizes gerais para uma utilização mais eficaz da frequência cardíaca.

A ideia da utilização da frequência cardíaca no controle da intensidade de uma sessão de treinamento baseia-se no fato de que existe uma relação linear entre o consumo de oxigênio e a frequência cardíaca.

Embora isto seja uma informação valiosa, podemos destacar dois problemas:

Primeiro esta relação linear fica comprometida quando se atinge uma intensidade em torno de 85% do VO2 máx. Uma vez que muitos tipos de treinamentos intervalados e trabalhos de altas intensidades são feitos dentro desta faixa de intensidade ou acima dela, a frequência cardíaca por si só não pode ser usada para controle deste tipo de trabalho.

Em segundo lugar, mesmo que haja uma relação entre a intensidade do exercício e a frequência cardíaca esta relação é diferente para diferentes tipos de exercícios, ou seja, os batimentos cardíacos para a execução de uma série de saltos não será o mesmo que a frequência cardíaca para andar de bicicleta numa dada intensidade.

Na verdade, a frequência cardíaca do ciclismo indoor e ao ar livre não são sempre as mesmas.

Algumas pesquisas indicam que a frequência cardíaca ao ar livre pode ser até 10 batimentos a mais do que em um treino indoor para o mesmo consumo de oxigênio.

Isso nos leva a nossa primeira regra de monitoramento da frequência cardíaca. A frequência cardíaca é específica para a atividade que você está fazendo.

A frequência cardíaca é influenciada por muitas variáveis. Duração do treinamento, estresse emocional, roupas, calor, desidratação, overtraining, perda do sono, diminuição do volume plasmático, altitude, e destreinamento.

Durante sessões de treinamentos contínuos de longa duração (60 minutos ou mais) o calor produzido pelo organismo produz um aumento da frequência cardíaca em até 20 batimentos por minuto.

Se o atleta reduz a intensidade do exercício para amenizar as taxas de frequência cardíaca estaria mudando o efeito do treinamento sobre os músculos.

Isso nos leva a regra número dois da frequência cardíaca: Durante treinamentos contínuos a intensidade do treinamento deve permanecer constante durante toda a sessão, independente do aumento da frequência cardíaca.

Treinamentos em um ambiente quente e úmido podem aumentar a frequência cardíaca em até 13 batimentos por minuto. Isto pode fazer com que o uso correto da frequência cardíaca seja difícil.

Durante os treinamentos em um ambiente quente e úmido, os batimentos cardíacos podem ser muito maiores do que eram numa sessão igual de treinamento realizado na semana anterior para a mesma intensidade. E estes níveis de frequência cardíaca são difíceis de serem previstos.

O estresse emocional no trabalho ou o estresse dos períodos de provas escolares tendem a aumentar a frequência cardíaca durante o treinamento.

Além disso, a qualidade do sono pode interferir na frequência cardíaca. A redução da qualidade do sono pode aumentar a frequência cardíaca.

Regra número três: Quando o treinamento for realizado em climas quentes e úmidos ou durante períodos de tensões emocionais, utilize as percepções dos esforços e sintomas de fadigas ao invés da frequência cardíaca.

A frequência cardíaca é uma resposta individual, assim como a frequência cardíaca máxima. Observam-se entre atletas de uma mesma equipe, diferenças entre 20 a 30 batimentos cardíacos durante a mesma sessão de treinamento.

Isso não é necessariamente devido às diferenças na aptidão, ao contrário, é algo inerente a essas pessoas.

Comparar a frequência cardíaca entre diferentes pessoas é desnecessário e muitas vezes imprudente.

Os programas de treinamentos não devem ser baseados nas orientações gerais sobre frequência cardíaca, em vez disso, devem ser baseadas nas respostas individuais.

A frequência cardíaca de treinamento de 150 bpm pode provocar adaptações muito diferentes para pessoas diferentes.

Regra 4:. Não compare sua frequência cardíaca aos outros.

Como a frequência cardíaca é uma resposta individual e depende do nível de aptidão física, os valores de frequência cardíaca devem ser determinados em relação a outras variáveis ​​fisiológicas.

Há três comuns marcadores fisiológicos para o treinamento aeróbico: limiar aeróbico, limiar anaeróbio e VO2 max.

Os programas de treinamentos são normalmente concebidos com a ideia de mudar esses pontos fisiológicos.

A fim de determinar a frequência cardíaca de trabalho corretamente, as mudanças nestes marcadores fisiológicos devem ser identificadas. Isto pode ser feito por meio de testes de lactato ou através de um ensaio de consumo de oxigênio.

Os dados então são correlacionados com os níveis de frequência cardíaca e suas taxas de intensidades podem ser desenvolvidas. Se essa relação não for determinada, as prescrições pela frequência cardíaca se tornam extremamente subjetivas.

Regra 5:. Faixas de frequência cardíaca devem ser determinadas a partir de outros dados fisiológicos.

A frequência cardíaca como mencionado anteriormente não é uma boa ferramenta para monitorar a intensidade durante o trabalho de velocidade ou treinamentos intervalados.

Alguns treinadores acreditam que a frequência cardíaca deve ser usada para monitorizar a recuperação entre os intervalos de modo que os níveis de fadiga possam ser controlados.

Embora seja verdade que os níveis de fadiga precisam ser controlados, a frequência cardíaca não é a maneira correta de fazê-lo.

A fadiga durante o remo de alta intensidade é causada principalmente pelo acúmulo de ácido láctico. O tempo de recuperação deve ser baseado no tempo necessário para reduzir os níveis de lactato. A relação entre recuperação da frequência cardíaca e a remoção do lactato não é tão linear. Em outras palavras, a frequência cardíaca pode ter se recuperado, mas os níveis de lactato ainda podem ser muito altos para fazer o intervalo da forma como deve ser feito.

A frequência cardíaca é uma ferramenta para o treinamento. Como todas as ferramentas ela apresenta suas limitações e deve ser usado para um trabalho específico em um momento específico.

Se você for utilizar a frequência cardíaca para controlar a intensidade do seu treinamento, siga as orientações descritas aqui e lembre-se que a frequência cardíaca é apenas uma resposta a estímulos internos e externos que não deve ser o principal fator controlador para seu treinamento.

Autor: Ed McNeely

Mestre em fisiologia do exercício e  consultor de 32 medalhistas olímpicos americanos

Fonte: www.power-systems.com

Tradução: Prof. Luciano Carlos Fernandes
Educador Físico – CREF 6 / MG – 4812 G
Especialista em Treinamento Desportivo – UFV
Editor do www.educacaofisica.org

3 thoughts on “Cinco regras para monitoramento de frequência cardíaca

  1. Obrigado pela “aula” que nos brinda sobre o monitoramento da frequencia cardiaca,. Realmente tem sido um aspecto que mexe com todo aquele que esta envolvido na area de treinos, principalmente os que planificam programas de treino ou prescrevem exercicios para as pessoas ( desde o atleta ate o sedentario). Eu pessoalmente estou encravado no meu projeto de mestrado em Treinos, porque nao consigo colocar uma intensidade desejada para cada participante do meu programa de exercicio aerobico ( com musica ), me vendo obrigado a submete-los numa intensidade de 65% a 75% btpm oque significaria usar varias musicas com velocidade dierentes para cada um para respeitar a sua intencidade correspondente a esse entrevalo. Ajuda-me..
    Sera que existem formas de transformar o numero de pulsos em baets(velovidade dos tempos da musica) por minutos? Ou seja: para trabalhar na frequencia (x )no individuo (k) a musica deve ser de (y) baets/ minuts.
    Estou pedindo ajuda Prof. Luciano Carlos Fernandes, eu sou Mocambicano, Licenciado em educacao fisica e Desporto.

    • Olá Sávio! Obrigado pelo contato!
      Já pensou em utilizar um metrônomo? Realmente é bastante difícil ter um monitoramento correto da FC cardíaca em função da música. Você irá encontrar dentro de um grupo diferentes níveis de FC de trabalho.

  2. Pingback: Treinamentos intensos de curta duração causam rápidas melhorias nos metabolismos anaeróbico e aeróbico | educacaofisica.org

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