Desarmonia corporal

desarmoniaDando continuidade ao estudo do peso corporal (vide artigo Quanto você pesa?) trataremos, agora, de algumas características referentes à composição corporal masculina e feminina.

De inicio precisamos entender a relação da distribuição da gordura segundo as regiões anatômicas e proporções hormonais. Trataremos dos tipos de acúmulo de gordura ginoide (mulheres são mais acometidas) e androide (homens mais acometidos).

Gordura Ginoide 

Deve-se à influência dos estrógenos, caracterizando-se por acúmulo de gordura na metade inferior do corpo, quadril, glúteo e coxa proximal. Uma das características que mais acompanham esse tipo de acúmulo de gordura é a celulite que é conhecida na comunidade médica como Lipodistrofia Ginoide. Muitos cientistas afirmam que toda mulher adulta tem celulite, tanto que este é considerado por alguns como o mal do milênio em termos de estética.

Após a puberdade a mulher começa a produzir estrogênio em maior quantidade, aumentando a retenção de líquidos e resultando em maior concentração de gorduras naqueles locais. Diante de um processo extremo essas células de gordura comprimem os vasos sanguíneos, alterando a elastina e o colágeno e modificando a estrutura da superfície da pele. Podemos identificar 4 fases na formação da lipodistrofia ginoide (celulite):

1. maior retenção de líquidos entre os vasos sanguíneos (capilares) e os tecidos, no local onde ocorre a troca de nutrientes;

2. maior concentração de células gordurosas na região. Neste momento já é possível notar as ondulações na pele;

3. aparecimento de nódulos, nessa fase pode haver prejuízo da circulação em função de micro varizes. Peso, cansaço e dor também podem surgir;

4. o estado da fase 3 se intensifica.

Essa situação, associada a outras como: acúmulo localizado de gordura, flacidez muscular, varizes, micro varizes, estrias… afetam muitas pessoas do sexo feminino no que diz respeito à sua beleza e tipificam claramente a gordura ginoide.

Gordura Androide

Sofre a influência da testosterona e corticoides, caracterizada pela deposição de gordura na região central do corpo, abdome, tronco, cintura e pescoço. Alguns pesquisadores defendem a ideia de que esse tipo de acúmulo gordura é um bom parâmetro para se determinar a gordura visceral. Índices como a circunferência da cintura sozinha ou em relação com o quadril (RCQ – relação cintura-quadril) são utilizados para se determinar se o indivíduo está ou não acima do que é considerado adequado em termos de saúde, pois existe uma forte ligação entre doenças crônico-degenerativas, (ex: hiperlipidemias, diabetes, hipertensão arterial e outras) e o acúmulo de gordura na região intra-abdominal.

Essa situação, em ambos os sexos, define um novo conceito que é “síndrome da desarmonia corporal”, que pode ser facilmente perceptível na maioria das vezes, mas em alguns casos o seu diagnóstico não é tão fácil. É mais simples quando o indivíduo está com níveis de obesidade facilmente detectada pelo IMC (índice de massa corporal), já quando a pessoa tem o percentual de gordura acima dos níveis adequados, mas aparentando magreza em função de baixa massa magra, o IMC não pode ser utilizado, pois vai informar que a pessoa se encontra em estado de normalidade o que não é real. Porém, nessa condição só se pode diagnosticar o problema pelo exame de composição corporal, que é o fracionamento do peso corporal, em dois componentes: massa magra e massa gorda.

Essa relação de massa gorda e massa magra pode ter as mais diversas combinações, e o diagnóstico e prognóstico serão diferentes para cada caso.

Para se diagnosticar com eficiência essa situação podemos utilizar vários métodos, como já falamos no artigo anterior, mas o que hoje é mais difundido entre os avaliadores, acredito que pela melhor condição de custo X beneficio, é o de dobras cutâneas.

Resumindo 

A síndrome da desarmonia corporal deve ser diagnosticada pelo estudo da composição corporal e o seu tratamento deverá ser específico para o seu tipo. Mas atenção: dentre os métodos mais difundidos como, por exemplo, a drenagem linfática, ultrassom, endermologia, cremes, massagens, atividade física, boa alimentação etc.. Somente posso afirmar que com certeza que a atividade física bem orientada e reeducação alimentar lhe trarão bons resultados.

E não se esqueça que a quantidade de gordura corporal assume papel importante na variação das funções metabólicas associadas ao desempenho motor e ao surgimento de doenças crônico-degenerativas e o diagnóstico dessa distribuição regional de gordura (ginoide e androide) tem demonstrado ser um fator tão importante quanto a determinação da gordura corporal total para a manutenção dos estados de saúde.

PS: Recado aos avaliadores físicos: que refaçam seus conceitos uma vez que defendem o uso de avaliação de composição corporal para diagnóstico e prognóstico… Mas, quantas vezes vocês fizeram avaliação de composição corporal para iniciar uma atividade física ou mesmo para modificar um treinamento em periodização ???

Referencias Bibliográficas

COSTA, ROBERTO FERNANDES DA. Composição Corporal – Teoria e pratica da avaliação. Manole, 2001.
GUEDES, DARTAGAN PINTO E JOANA E. R. P. GUEDES. Controle do Peso Corporal. Midiograf, 1998.
GUEDES, DARTAGAN PINTO E JOANA E. R. P. GUEDES. Exercício Físico na Promoção da Saúde. Midiograf, 1995.
HEYWARD, VIVIAN H. E LISA M. STOLARCZYK. Avaliação da Composição Corporal. Manole, 2000

Leia aqui o texto “Quanto você pesa?”

Texto: Prof. Luiz Casca – Educador Físico

Fonte:
GEASE – Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercício
www.gease.pro.br
Brasília / DF

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