Distúrbios Alimentares

Muitos estudantes atletas enfrentam um paradoxo em suas dietas de treino. Por um lado, eles são estimulados a comer para manter a fonte de energia necessária para uma alta performance e, por outro, enfrentam com freqüência restrições de peso impostas pela equipe ou por si mesmos.

Enfatizar o baixo peso ou o baixo percentual de gordura corporal só beneficia a performance quando as diretrizes dadas são realistas, a ingestão de calorias é razoável e a dieta balanceada. Um controle de peso muito radical pode pôr em risco a saúde do estudante atleta e ocasionar comportamentos associados a determinados distúrbios alimentares.
Estudos da Associação Atlética Universitária Nacional (NCAA-National Collegiate Athletic Association) mostraram que um mínimo de 40% dos membros da instituição relatou pelo menos um caso de anorexia ou bulimia em seus programas atléticos. Embora esses distúrbios alimentares sejam muito mais freqüentes em mulheres (aproximadamente 90% dos relatórios foram baseados em esportes femininos), eles também ocorrem em homens.

Os distúrbios alimentares muitas vezes são reflexos de problemas emocionais sérios que podem se desenvolver muito antes do indivíduo se envolver com esportes. Já foi sugerido que o stress, seja originado pela prática de esportes ou pela busca exagerada por sucesso acadêmico ou social; o stress também origina problemas psicológicos como distúrbios alimentares em pessoas com tendências para tal.
Nessas pessoas, os distúrbios alimentares podem ser provocados por um acontecimento ou por comentários feitos por alguém importante para a pessoa. No esporte, esse processo pode envolver comentários casuais sobre a aparência ou provocações constantes envolvendo o peso, tipo ou feitio de corpo de um atleta.Alguns dos distúrbios alimentares mais comuns em estudantes atletas e seus sinais incluem:
Anorexia Nervosa
Inanição auto-imposta em um esforço obsessivo de perder peso e ficar magro.
Sinais –Perda de peso drástica; preocupação com comida, calorias e peso; usar roupas largas ou em excesso; prática de exercícios rígida e exagerada; alterações de humor e a evasão de atividades sociais que envolvam comida.Bulimia

Comer muito e de forma compulsiva e depois usar algum método de purgação como vômito, diuréticos, laxantes ou exercícios em excesso.
Sinais – Preocupação excessiva com o peso; ir ao banheiro após as refeições; temperamento depressivo; dietas restritas seguidas por “ataques de comer” compulsão de comer e críticas crescentes a respeito do corpo.

Bulimia e Anorexia
Anorexia nervosa com a prática de um ou mais comportamentos bulímicos. É importante ressaltar que a presença de um ou dois destes sinais não indica necessariamente a presença de um distúrbio alimentar. Diagnósticos definitivos devem ser feitos por profissionais aptos.
A anorexia e a bulimia levam à inanição e à desidratação, que podem resultar em perda da força e vigor muscular, diminuição do poder aeróbio e anaeróbio, perda da coordenação motora, comprometimento da capacidade de julgamento e outras complicações que prejudicam a saúde e diminuem a performance. Esses sintomas podem ser evidentes desde o princípio ou podem demorar até se tornarem aparentes.
Muitos estudantes atletas tiveram boas performances ao mesmo tempo em que sofriam de distúrbios alimentares. Portanto, o diagnóstico do problema não deve se basear somente na diminuição da performance atlética. Treinadores e médicos supervisores devem estar atentos a estudantes atletas suscetíveis a distúrbios alimentares, principalmente em esportes em que a aparência ou peso são fatores que influenciam a performance. Decisões relacionadas à perda de peso devem basear-se nas seguintes recomendações para reduzir as chances de um distúrbio alimentar:
1. A perda de peso deve ser um consenso entre o treinador e o atleta, com a presença de médicos e nutricionistas;
2. Todos os envolvidos devem desenvolver um plano sensato e realista;
3. Planos de perda de peso devem ser desenvolvidos de acordo com a pessoa. Se aparecer um problema, é indispensável a avaliação médica detalhada do atleta suspeito de distúrbio alimentar. Uma vez confirmado o distúrbio, a mudança de comportamento deve vir das instruções dos profissionais por meio de orientação nutricional, psicológica e/ou psiquiátrica. A implementação de grupos de apoio, acesso à orientação pessoal e uma linha telefônica de apoio deve ser considerada em cada campus, já que os distúrbios alimentares são um problema crescente que traz sérias conseqüências para saúde.
Educação a respeito dos distúrbios alimentares é uma boa medida preventiva. Em 1989, o departamento atlético de cada instituição membro recebeu o projeto da NCAA “Nutrição e Distúrbios Alimentares nos Esportes na Faculdade”. Esse material, que incluiu fitas de vídeo e suplementos escritos, deve ser analisado por administradores esportivos, treinadores, equipes médicas e atletas.
Além disso, em 1992 a Universidade Americana de Medicina Esportiva começou a desenvolver materiais informativos a respeito da tríade da atleta: distúrbios alimentares, amenorréia e osteoporose.

Texto:
American College Of Sport Medicine – Current Comment – Fall – 1996 

Tradução:
Mariana Quadros
Aluna do curso de Tradução e Interpretação da UNISANTOS – Universidade Católica de Santos.

Cortesia:
Cooperativa do Fitness

 

Créditos: EducaçãoFísica.org agradece à Cooperativa do Fitness (www.cdof.com.br) pela permissão de reproduzir o artigo “Distúrbios Alimentares“.

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