Ética, drogas e esportes

A conduta ética deve ser parte integrante da vida esportiva, social e profissional de todos aqueles indivíduos envolvidos e compromissados com a saúde, com a educação e com o bem estar da coletividade. Ética é simplesmente o conjunto de atitudes e sentimentos interrelacionados indo do respeito ao ser humano e natureza em sua forma mais ampla, passando pela fidelidade aos objetivos cientificamente traçados para a vida profissional e culminando nos princípios morais e sociais dentre outros; os quais contribuem definitivamente para que o homem alcance o equilíbrio entre a natureza e o seu próprio eu.

A falta ética no meio esportivo é facilmente identificada por meio de ações tais como: manipulação de resultados esportivos, das falcatruas financeiras, das incitações e agressões físicas e verbais ou mesmo, do exercício de cargos por pessoas não habilitadas. Finalmente o uso de substâncias ilícitas que visam a quebra de recordes ou vitórias sobre os oponentes, fecha com chave de ouro a má fé e a conduta anti-ética de tal praticante. A atitude acima citada, pode ser o início do câncer sócio competitivo chamado doping.

O doping gera desigualdade entre os atletas e equipes esportivas, pelos resultados irreais obtidos por atletas drogados. Os resultados dos recordes astronômicos, são muitas vezes motivo de incentivo aos jovens atletas, por despertarem interesse por serem os recordistas, admirados e endeusados por tais façanhas. O jovem deve se levado a entender que há um preço a ser pago pelo uso de drogas. O preço inclusive pode ser a própria morte. Visando melhorar o rendimento ou a performance física, treinadores e atletas juntam seus conceitos imorais sobre competitividade, e formam a corrente que ajuda a crescer o comércio de tais substâncias.

A seguir citamos alguns exemplos de ascensão e queda de alguns atletas. Nunca esquecemos a vida e a carreira falida do atleta Ben Johnson que nunca mais conseguiu chegar, nem perto do recorde por ele estabelecido nos 100 metros rasos em Seul 1988, sob o efeito da droga de nome comercial Winstrol. Por ironia do destino, Ben Johnson não conseguiu alcançar uma cigana que roubou-lhe a carteira em Roma, no mês de julho de 2000; (revista época, ano III, n.º 116).

Acredita-se na morte prematura de Florence Griffith Joyner aos 38 anos, ter sido provocada por reações advindas do uso indiscriminado de drogas anabolizantes. O jogador Maradona, o qual almejava obter o título conquistado por nosso Pelé, o de maior jogador de futebol de todos os tempos, foi dezenas de vezes noticiado pela mídia mundial, por seus envolvimentos em cenas constrangedoras justamente pelo uso de drogas em sua vida comum. Na sua vida esportiva foi punido pelo uso de efedrina em uma copa do mundo.

Assim como obteve o titulo de atleta do século, Pelé merece destaque e admiração de nossa parte, por sua conduta ética, pessoal e esportiva em todos os tempos. A lamentável morte da heptatleta Birgit Dressel em 10 de abril de 1987, por complicações orgânicas generalizadas, além de carregar consigo uma dezena de lesões e deformidades graves, a sua morte foi impressionantemente dolorosa e sofrida. A nadadora alemã oriental Catherine Menschner esta condenada a viver com um colete especial para manter-se com a coluna cervical ereta, ela também foi vitima de abuso de esteróides anabólicos e hormônios masculinos durante sua vida esportiva.

Final

Já que não há como o governo resolver sozinho o problema das drogas anabólicas, estimulantes, alucinógenas e outras que surgem em nosso país, desde o tráfico, comércio e uso principalmente por jovens; cabe aos representantes das unidades sanitárias, das instituições de atividades físicas, aos pais ou responsáveis, juntamente com os profissionais de saúde e da educação física, tentar excluir qualquer forma de incentivo ao doping. As drogas anabolizantes estão cada dia mais, sendo usadas e relacionadas com o objetivo de elevar o rendimento físico no treinamento e ou visando padrões estéticos, do que para fins terapêuticos.

As drogas só devem ser usadas ou administradas sob estrita recomendação pela classe médica competente e para tratamento de enfermidades. O treinador que faz uso de drogas para o treinamento de seus educandos, não merece respeito de nenhum de nós. Deve ser banido das suas atribuições o quanto antes possível. Profissionais bem graduados e sérios não utilizam em hipótese alguma o doping para atingir o alto rendimento nos seus alunos.

Uma atitude contrária por parte de um treinador, comprova o total despreparo e desconhecimento, no desenvolvimento das atribuições educacionais a que foi destinado. Uma conduta estimulativa ao doping, constitui total e grave falta ética, por este motivo qualquer profissional deve ser afastado de suas atribuições. Quando constatada apologia ao consumo de drogas, deve-se denunciar imediatamente aos órgãos de repressão policial, visto que constitui transgressão da lei.

Profissional de Educação Física: Luiz Carlos Chiesa
www.professorchiesa.com.br
Registro CREF 1- 000069 G/ES

  • Graduado pela U.F.E.S-1985/1
  • Pós graduado em Treinamento Desportivo pela Universo/1999.
  • Diretor do CREF 01/ ES.
  • Autor dos livros:
    Musculação: uma proposta de trabalho e desenvolvimento humano, Espírito Santo: Editora da U.F.E.S, 1999.
    Musculação: Aplicações práticas – Técnicas de uso das formas e métodos de treinamento, Rio de Janeiro: editora Shape, 2002.
    A musculação racional. Bases para um treinamento organizado, (em fase de edição; editora PAIDOTRIBO, Barcelona/Espanha).

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