Exercícios e pausa melhoram saúde mental e física de operadores de telemarketing

Exercícios físicos específicos e até mesmo uma pausa no trabalho contribuem para aliviar o desconforto postural e a fadiga de quem trabalha com telemarketing. Em seu mestrado, realizado na Faculdade de Medicina (FM) da USP, a fisioterapeuta Denise Helena Lacaze avaliou a eficácia de um programa de exercícios sobre os efeitos desse tipo de trabalho no bem estar físico e mental. O estudo faz parte de um projeto maior, coordenado pela professora Lys Esther Rocha, que realiza avaliações nutricionais e físicas para compreender as implicações e mudanças envolvidas na relação entre homem e trabalho.

“Operadores de telemarketing compõem um público com muita demanda”, afirma a fisioterapeuta, “pois sofrem de estresse e de problemas psicológicos e adoecem fisicamente, principalmente devido ao desconforto postural”. A postura estática e a fadiga mental a que estão submetidos estão entre as principais causas de adoecimento.

Denise avaliou por dois meses 83 pessoas que trabalham na central de vendas de uma empresa aérea localizada na cidade de São Paulo. Destes, 42 formaram o grupo experimental, que realizou exercícios diariamente por 10 minutos, e 41 compuseram o grupo controle, submetido a apenas uma pausa no trabalho, também de 10 minutos.

Menos desconforto
Segundo a pesquisadora, os resultados apontam para uma sensível diminuição no desconforto postural dos operadores. A média do nível de desconforto do grupo experimental, que era de 5,92 na primeira semana, reduziu para 2,85 na última. “Mesmo nos funcionários do grupo controle houve diminuição – porém, em menor escala”, afirma Denise. “Na primeira semana, a média de desconforto desse grupo era de 5,56 e passou para 4,52 na última semana”.

Houve redução também na fadiga sentida pelos operadores dos dois grupos. Estresse, falta de sono, cansaço mental e físico, falta de atividade física foram os motivos de cansaço mais apontados nos dois grupos.

O programa aplicado por Denise engloba exercícios de mobilização articular, relaxamento e alongamento, de forma a atingir praticamente todas as partes do corpo que costumam ser afetadas com o trabalho de telemarketing. Visando conhecer as demandas e acompanhar a evolução dos funcionários, a fisioterapeuta utilizou um mapa de segmentos corporais, para avaliar o nível e os locais de desconforto, e um questionário que avaliou a sensação de fadiga física e mental, apontada por sinais como cansaço, sonolência e até dificuldades de iniciar uma frase.

Prevenção
Os exercícios ou até mesmo a pausa são instrumentos para aliviar a sobrecarga nos trabalhadores, “mas não são a ‘galinha dos ovos de ouro’, porque não resolvem todos os problemas”, alerta a pesquisadora. “É preciso também boa organização do trabalho e ambiente e condições de trabalho adequados”.

Uma rotina estressante contribui para o aparecimento de problemas de saúde – e ela está diretamente ligada às condições de trabalho. Em estudo anterior à sua pesquisa, foi identificado que, devido ao provedor utilizado pela empresa, ocorriam muitas quedas do sistema durante o período de trabalho, o que atrapalhava o atendimento e causava transtorno, tanto ao cliente como ao atendente.

A fisioterapeuta chama a atenção também para a importância de um mobiliário adequado e de qualidade, além de treinamento dos funcionários para utilizá-lo de maneira correta. “Acontecia dos funcionários não ajustarem o mobiliário antes de começar o trabalho, embora houvesse recursos para ajuste de altura da cadeira, do encosto e da mesa de trabalho”, conta.

Para a pesquisadora, há fatores relacionados ao ambiente que devem ser adequados a fim de prevenir uma série de problemas de saúde. “A prevenção gera um custo bem menor para a empresa do que ter de partir para a reabilitação.”

Texto:

Aline Moraes / Agência USP

Fonte:
Agência USP de Notícias

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