Exercícios físicos e câncer de mama

cancer de mamaO câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no Brasil e no mundo. As taxas de mortalidade pelo câncer de mama continuam elevadas no Brasil, possivelmente porque o diagnóstico muitas vezes ocorre em estágios já avançados da doença. Quando diagnosticado e tratado oportunamente, o prognóstico é relativamente bom. A sobrevida média após cinco anos é de 61% na população mundial.

A qualidade de vida da paciente muitas vezes é gravemente afetada pelo tratamento de quimioterapia e a radioterapia.

Um estudo escocês investigou os benefícios dos programas de exercícios físicos para a qualidade de vida em mulheres que estavam em tratamento num estágio inicial de câncer de mama. Participaram desse estudo mais de 200 mulheres. Essas mulheres foram divididas em dois grupos. O grupo controle recebeu os cuidados habituais, enquanto o segundo grupo recebeu o tratamento habitual e ainda participaram de um programa de exercícios físicos de 12 semanas. Os exercícios foram orientados por especialistas e também prescritos para que as pacientes pudessem realizá-los em casa uma vez por semana.

Após o período de 12 semanas, os pesquisadores analisaram o bem-estar físico e psicológico das participantes, medindo uma série de fatores, tais como capacidade funcional, níveis de depressão, qualidade de vida, humor e níveis semanais de atividade física. Esses fatores foram analisados após esse período de 12 semanas e após um período de 6 meses.

Os pesquisadores identificaram que as pacientes que realizaram exercícios físicos tiveram melhores resultados nos aspectos físicos e psicológicos em relação às pacientes que não realizaram exercícios durante o tratamento. Essas melhorias foram observadas tanto após as 12 semanas de treinamento e tratamento quanto após o período de 6 meses. Além disso, após esse período de 6 meses, as pacientes que exercitaram, realizaram menos visitas ao médico e passaram menos tempo no hospital em relação às pacientes que não realizaram os exercícios físicos.

Além dos benefícios constatados para pacientes em tratamento de câncer de mama, parece que a prática regular de exercícios físicos é capaz de prevenir o aparecimento da doença.

Um estudo americano investigou durante 10 anos a hipótese do exercício físico moderado e vigoroso ajudar na redução do risco de desenvolvimento de câncer de mama. Nesse estudo participaram mais de 110 mil mulheres. Os pesquisadores avaliaram o nível de atividade física dessas mulheres e verificaram que as mulheres que estavam no período pós-menopausa e que se envolveram em mais de 7 horas por semana de exercício moderado e vigoroso durante os últimos dez anos, apresentaram 16% menos chances de desenvolver câncer de mama do que as mulheres inativas dessa faixa etária. No entanto, não foi observada relação entre o risco de câncer de mama e atividade física em mulheres mais jovens que estavam ativas.

Outro estudo americano relata fortes evidências ligando a prática de exercícios físicos regulares a uma menor taxa de câncer de mama em mulheres afro-americanas. Mais de 44 mil mulheres negras americanas participaram desse estudo. Os pesquisadores acompanharam essas mulheres durante 16 anos e nesse período coletaram informações sobre os seus hábitos de exercícios, tais como tempo semanal de prática de exercícios e o tipo de exercício que elas realizavam e fizeram uma relação dessas informações com o desenvolvimento de câncer de mama.

Os pesquisadores observaram que as mulheres que se exercitaram vigorosamente por sete ou mais horas por semana tiveram 25 % menos probabilidade de desenvolvimento de câncer de mama em comparação com aquelas que se exercitaram menos de uma hora por semana. Exemplos de atividades físicas vigorosas incluem basquete, natação, corrida e ginástica aeróbica. Os resultados foram semelhantes para as mulheres que realizaram caminhadas rápidas, mas não foram observados benefícios para caminhadas leves.

Em contrapartida, um estudo observou que tanto os exercícios leves quando os exercícios intensos são capazes de reduzir os riscos de desenvolvimento do câncer de mama. Porém, esse estudo alerta que o ganho de peso corporal pode interferir negativamente nesse benefício. Esse estudo procurou uma relação entre a atividade física de lazer, realizada em momentos diferentes na vida, e o risco de desenvolvimento de câncer de mama.

O estudo incluiu 1504 mulheres com câncer de mama diagnosticado e 1555 mulheres sem o diagnóstico de câncer de mama, com idades entre 20 e 98 anos.

As mulheres que se exercitaram, seja durante seus anos reprodutivos ou no período pós-menopausa tiveram um risco reduzido de desenvolvimento de câncer de mama. As mulheres que se exercitaram 10 a 19 horas semanais experimentaram o maior benefício com um valor aproximado de 30% de risco reduzido. Porém, foram observadas reduções de risco em todos os níveis de intensidade de exercícios.

Segundo os autores, a observação da redução do risco de câncer de mama para as mulheres que se envolveram em exercício após a menopausa é particularmente satisfatório tendo em vista a idade de início mais tardia do câncer de mama.

Esse estudo também observou que o ganho de peso pode eliminar os efeitos benéficos do exercício sobre o risco de câncer de mama. Ao analisar os efeitos conjuntos de atividade física, ganho de peso e tamanho corporal, descobriu-se que mesmo as mulheres ativas que ganharam uma quantidade significativa de peso, especialmente após a menopausa, tiveram um risco aumentado de desenvolver câncer de mama.

Enquanto muitos estudos têm demonstrado que a atividade física regular reduz o risco de câncer de mama ou traz benefícios para as mulheres já diagnosticadas com a doença, muitas questões ainda permanecem. Por exemplo, quantas vezes, por quanto tempo e qual a intensidade ideal que a atividade física tem que ter para proporcionar os melhores benefícios? O exercício reduz o risco para todos os tipos de câncer de mama?

O certo é que as evidências já encontradas em diversos estudos podem ajudar a desvendar a relação do câncer de mama com a atividade física. Portanto, os médicos devem incentivar a prática de atividade física durante o tratamento do câncer para suas pacientes e também incentivar a prática para a prevenção, e políticas públicas devem garantir a oportunidade da prática de exercícios físicos como medida preventiva para essa e diversas outras enfermidades.

 

Referências Bibliográficas

BioMed Central. “Recent, Vigorous Exercise Is Associated With Reduced Breast Cancer Risk.” ScienceDaily. ScienceDaily, 1 October 2009.

BMJ-British Medical Journal. “Exercise Improves Quality Of Life For People With Breast Cancer.” ScienceDaily. ScienceDaily, 19 February 2007.

Lauren E. McCullough, Sybil M. Eng, Patrick T. Bradshaw, Rebecca J. Cleveland, Susan L. Teitelbaum, Alfred I. Neugut, Marilie D. Gammon. Fat or fit: The joint effects of physical activity, weight gain, and body size on breast cancer risk. Cancer, 2012

Rosenberg, J. R. Palmer, T. N. Bethea, Y. Ban, K. Kipping-Ruane, L. L. Adams-Campbell. A prospective study of physical activity and breast cancer incidence in African American women. Cancer Epidemiology Biomarkers & Prevention, 2014

 

Luciano Carlos Fernandes
Professor de Educação Física – CREF 6 / MG – 4812 G

Especialista em Treinamento Desportivo – UFV
Editor do www.educacaofisica.org

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