Fumante queima uma TV de plasma por ano

Estudo do Dieese mostra estrago que o cigarro faz no bolso: quem fuma um maço ao dia gasta R$ 1.728/ano

Fumar é queimar dinheiro. Ao longo de um ano, quem fuma um maço de cigarros de R$ 4,80 por dia gasta R$ 1.728, ou o preço de uma TV de plasma de 42 polegadas. Ou ainda o modelo de 16 gigas de um dos eletrônicos mais desejados da atualidade, o iPad 2.Ou ainda uma viagem de quatro dias para duas pessoas para o disputado destino turístico de Itacaré, na Bahia, incluindo hotel e avião.

A soma é feita usando a calculadora da Sociedade Brasileira de Cardiologia, disponível no site da instituição (www.cardiol.br), e mostra o peso do tabagismo no orçamento familiar. O ICV (Índice de Custo de Vida) do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que 1,7% da renda da família média brasileira é gasta com cigarros.

A conta, porém, é paga também por quem não é fumante. O SUS (Sistema Único de Saúde) gasta R$ 426 milhões com o combate às doenças causadas pelo fumo. O valor equivale a 5,43% da verba do sistema público de saúde.

“Existem 56 doenças causadas diretamente pelo fumo. Incluindo todos os tipos de câncer”, afirma o diretor científico da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, o pulmonologista Oliver Nascimento. “O tabagismo deve ser encarado como doença”, diz Nascimento, que atende só fumantes no Centro de Reabilitação Pulmonar da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Em seu consultório particular, segundo o pulmonologista, 70% dos clientes são fumantes. “Mas há também os que têm problemas com o fumo passivo, como os filhos de pais fumantes”, diz Nascimento.

“O irônico é que mesmo o tratamento completo mais caro para deixar o cigarro, à base do remédio Champix, fica mais barato do que a TV de plasma”, lamenta o médico. “As consequências para o bolso a médio e longo prazos, com os gastos relativos às doenças associadas ao fumo, são ainda piores”, afirma Nascimento.

Inveterado / O diretor de TV e professor universitário Marcelo Amadei Barbiellini Júnior, de 66 anos, se considera um fumante inveterado. “Hoje existe uma patrulha contra o cigarro, mas quando comecei a fumar, aos 16 anos, o cinema e a televisão associavam o fumo ao charme, elegância e sofisticação”, diz Amadei. “Quase toda minha geração fuma ou fumou em algum momento.”

“Na televisão, antigamente, o cigarro era até uma ferramenta do diretor. Era uma ótima saída cênica colocar o personagem fumando, entre um diálogo e outro”, lembra Amadei. “Hoje, porém, há a recomendação de não fumar sequer em entrevistas”, explica o diretor.

Apesar de já ter chegado a fumar até cinco maços de cigarros por dia, em momentos de maior stress, Amadei calcula que na média fumou dois maços de cigarros por dia durante 50 anos. Em valores de hoje, os maços consumidos somam R$ 155.125. Perguntado sobre o que faria com esse dinheiro, brincou: “Compraria 10 mil pacotes de cigarro (risos). Ou um bom barco para curtir a praia”.

Apesar de confessar ter prazer em fumar, Amadei planeja parar em breve e convenceu o filho mais velho, o jornalista Marcelo Amadei Barbiellini Neto, de 39 anos, a parar junto. Os Amadei devem largar o cigarro no dia 11 de novembro, quando o pai fará aniversário. “Apesar de não sentir nenhum problema decorrente do cigarro, não quero esperar ter algum”, afirmou o diretor.

“Sou favorável às campanhas contra o cigarro. Mas não concordo com o exagero em banir os fumantes”, afirma Amadei, tragando um cigarro.

Fonte: Diário de São Paulo

Citado por: http://prevencao.cardiol.br

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