Futebol: teoria e prática da Física

O que a Física tem a ver com o futebol? Essa pergunta, que a princípio parece simples, tem uma grande variedade de respostas. Esportes em geral usam de várias áreas da Ciência, ainda que isso não seja consciente.Primeiramente, é preciso lembrar que todo movimento está submetido às leis da natureza, qualquer que seja. Assim, o futebol está inteiro inserido em leis da Física, o que pode ajudar a entender melhor o jogo e o que acontece nele.

A bola com efeito, por exemplo, pode ser compreendida depois de uma explicação dos conceitos da Física envolvidos no movimento. O efeito na bola pode ser introduzido de duas maneiras diferentes. Uma delas, que é menos comum no futebol, se dá quando a bola tem massa assimétrica (um lado mais pesado) e por isso assume um movimento não retilíneo. Isso costumava acontecer antigamente pois a região do bico da bola era mais pesada. Hoje em dia a qualidade da bola melhorou bastante, então é menos comum.

“A principal maneira, muito utilizada nesse esporte, é dar um movimento de rotação em torno do eixo da bola. Para tanto, não se pode bater no centro e sim em um dos lados”, explica Marcos Duarte, docente da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) da USP. Duarte ainda explica que os jogadores aprendem na prática – por tentativa e erro – como bater na bola para dar o efeito desejado.

Um dos exemplos que o docente cita é o efeito zigue-zague da bola que é conseguido quando bate-se lateralmente na bola e com muita força. “Quanto mais rápido ela girar em torno dela mesma, maior o efeito, e se ela atinge uma grande velocidade em relação do ar, começa a ter turbulência e o movimento fica totalmente imprevisível”, explica.

Dois jogadores brasileiros de duas gerações diferentes podem ser citados como exemplo de efeitos introduzidos na bola: Valdir Pereira, o Didi, das décadas de 1950 e 1960, com seu famoso “folha seca” (porque a bola fazia uma curva que lembrava o formato de uma folha seca), e o atual lateral da seleção Roberto Carlos, que, quando chuta, faz com que a bola descreva um arco. Esses efeitos têm mecanismos como os descritos pelo professor.

Equipamentos e treinamento

A Física não está presente somente durante o jogo: o treinamento, os uniformes e equipamentos utilizados são influenciados por essa ciência. Sabe-se que o futebol é um dos esportes que menos sofreram modificações nas regras. Mas não se pode dizer o mesmo dos equipamentos. As bolas, por exemplo, estão mais leves e velozes.

Segundo Marcos Duarte, é a Mecânica que rege essas modificações: são avaliadas as propriedades físicas e características do movimento para que as alterações sejam feitas.

Já nos treinamentos, os grandes clubes têm dispositivos para monitorar velocidade, altura do salto e rendimento dos jogadores. Isso tudo disponibiliza dados para que o técnico possa preparar treinamentos mais adequados e táticas que explorem os pontos fortes dos jogadores.

Futebol dá física dá futebol

O professor Marcos Duarte, em conjunto com a professora do Instituto de Física da USP, montou um site que ensina os conceitos da Física a partir do futebol, chamado “Física dá futebol”. E também que explica o futebol a partir de conceitos da Física.

Texto: Giulia Camillo / USP Online

Fonte:
USP Notícias

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