Hipertensão: elo entre obesidade e doenças cardiovasculares

Depois de 14 anos de pesquisas, os franceses confirmam o que especialistas do mundo todo suspeitaram durante muito tempo: a hipertensão arterial é a chave para o aumento do risco de ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais fatais em pessoas obesas ou com sobrepeso. O estudo acompanhou a saúde de mais de 240 mil pessoas ao longo de 14 anos. Seus resultados estão publicados na última edição da Hypertension, revista científica mais importante da área.

Segundo os pesquisadores, a contribuição mais importante do estudo é que a hipertensão arterial aparece como um mecanismo pelo qual a obesidade leva à doença cardiovascular. Homens e mulheres com sobrepeso, por serem hipertensos, apresentaram o dobro de chances de sofrer um ataque cardíaco ou apoplejia fatal se comparados às pessoas com sobrepeso e pressão arterial normal. Os resultados se concentram predominantemente em homens e mulheres de meia-idade.

Para o cardiologista do Instituto do Coração (INCOR) e diretor da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Dante Giorgi, está confirmado que o controle da pressão arterial é fundamental para a prevenção das complicações cardiovasculares nas pessoas acima do peso ideal. Um dado importante que se soma à pesquisa é que há três vezes mais hipertensos na população obesa.

No Brasil, onde há trinta milhões de hipertensos e quase quarenta milhões de pessoas acima do peso ideal, a descoberta coloca a saúde pública em alerta vermelho. “O combate à obesidade e à hipertensão deveria ser prioridade”, afirma o Presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão, Robson Santos. “É a única maneira de se reduzir a incidência de diabetes do tipo 2 e de doenças cardiovasculares e renais – as responsáveis pelos maiores gastos públicos com internações, cirurgias e transplantes no país. Corremos o risco de enfrentar uma situação grave na saúde pública brasileira em um futuro breve “, alerta o especialista.

Prevenção: medidas simples

Dados recentes do IBGE mostraram que o consumo de sal mais do que duplicou nos últimos 30 anos (de 6g/dia para 15 g/dia). “Além disso, o consumo de alimentos processados vem aumentando progressivamente, em detrimento do consumo do nosso saudável arroz-com-feijão e das frutas e verduras que produzimos o ano inteiro”, informa o cardiologista da SBH, Dante Giorgi. Segundo o médico, a redução de 3 a 4g no consumo diário de sal pode reduzir cerca de 4 a 6 mmHg na pressão arterial na maior parte dos pacientes, sem prejuízo ao sabor dos alimentos.

Para a população, o cardiologista dá a dica: “em uma família de quatro pessoas que almocem e jantem em casa, o quilo de sal de cozinha deve durar cerca de 2 meses e meio.”


Fonte: Sociedade Brasileira de Hipertensão

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