Importância da Ludicidade no Desenvolvimento Motor de Crianças com Síndrome de Down

Todo o comportamento humano pode ser convenientemente classificado como sendo pertencente a um dos três domínios, ou seja, cognitivo, afetivo-social e motor. Fazem parte do domínio cognitivo, operações mentais como a descoberta ou reconhecimento de informação. Do domínio afetivo-social fazem parte os sentimentos e emoções. Neste estudo abordaremos o domínio motor, do qual faz parte os movimentos. Em muitos estudos, o domínio motor é mencionado como domínio psicomotor, em função do grande envolvimento do aspecto mental ou cognitivo na maioria dos movimentos.

Depois da abordagem sobre os domínios do comportamento humano, buscamos conceituações que facilitassem o nosso estudo, sobre o desenvolvimento motor através do lúdico para crianças com Síndrome de Down de 3 a 6 anos. O movimento tem sido definido de várias formas por diferentes autores. De acordo com Neweel (1978), refere-se geralmente ao deslocamento do corpo e membros produzido como conseqüência do padrão espacial e temporal da contração muscular. É através de movimentos que o ser humano aprende sobre o meio social em que vive. As primeiras respostas de uma criança recém–nascidas são motoras,o seu progresso é medido através de movimentos.

Movimento é a essência da infância. Wickstram (1977) enfatiza, onde existe vida, existe movimento e onde existem crianças, existe movimento quase que perpétuo. Portanto, não podemos deixar de conceituar desenvolvimento motor, que atualmente tem recebido muita atenção no processo de aquisição de estímulos e desenvolvimento da criança. Segundo (Tani et al.,1988), o desenvolvimento motor é um processo contínuo e demorado e, pelo fato das mudanças mais acentuadas ocorrerem nos primeiros anos de vida, existe a tendência em se considerar o estudo do desenvolvimento motor como sendo apenas o estudo da criança.

É necessário enfocar a criança, pois, enquanto são necessários cerca de vinte anos para que o organismo se torne maduro, autoridades em desenvolvimento da criança concordam que os primeiros anos de vida, do nascimento aos seis anos, são anos cruciais para o indivíduo. As experiências que a criança tem durante este período determinarão, por grande extensão, que tipo de adulto a pessoa se tornará (Hottinger apud Tani et al. , 1988). Mas não se pode deixar de lado o fato de que o desenvolvimento é um processo contínuo que ocorre ao longo de toda a vida do ser humano. Entende-se por habilidade básica (andar, correr, arremessar, receber, saltar, quicar, rebater e chutar) uma atividade motora comum com uma meta geral, sendo ela a base para atividades motoras mais avançadas e altamente específicas (WICKSTRON, 1977).

Estudos mostram que, até aproximadamente 6 a 7 anos de idade, o desenvolvimento motor da criança se caracteriza basicamente pela aquisição, estabilização e diversificação das habilidades básicas. Assim, dentro deste processo ordenado e seqüencial, há alguns aspectos da seqüência de desenvolvimento que merecem ser comentadas. Em primeiro lugar está o aspecto de que a seqüência é a mesma para todas as crianças, apenas a velocidade de progressão varia( kay, 1969). Por isso faz-se indispensável pensarmos e analisarmos com precisão porque a atividade lúdica tornou – se o fenômeno mais eloqüente da unidade do ser humano e elemento indispensável ao desenvolvimento da criança. O Lúdico tem um caráter abrangente.

A origem da palavra é grega – ludus – que significa brincar. De acordo com Santos e da Cruz (1998, p.12) apud Awad (2004) o desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento. A recreação oportuniza a exploração do lúdico através de atividades que afloram as capacidades individuais da criança. Segundo, GUERRA (1988), recreação provém do verbo latino RECREARE que significa recrear, reproduzir, renovar – A recreação compreende então todas as atividades espontâneas, prazerosas e criadoras que se busca para melhor ocupar tempo livre.

Deve atender aos diferentes interesses das diversas faixas etárias e dar liberdade de escolha para que o prazer seja gerado. Dos conceitos utilizados neste estudo, passaremos agora a descrever, características da população estudada: Segundo Danielski, a Síndrome de Down é uma condição genética caracterizada pela presença de um cromossomo a mais nas células de quem é portador e acarreta um variável grau de déficit no desenvolvimento motor, físico e mental.

Esse cromossomo extra se acrescenta ao par de número 21, daí o termo também utilizado para sua denominação, de trissomia do 21. Sabe-se hoje que a Síndrome de Down é a síndrome genética mais estudada em todo o mundo. As crianças portadoras desta síndrome possuem déficit motor no desenvolvimento das habilidades básicas. Contudo, significa apenas que a velocidade desses ganhos é menor quando comparada com outras crianças.

No entanto, muitos dos limites impostos a estas crianças são puramente sociais. Uma gama de estudos vem provando que quando estimuladas precocemente estas crianças apresentam ganhos motores essenciais e apesar de mais lento, conseguem obter tais ganhos de modo definitivo e dentro de parâmetros considerados normais.

Referências Bibliográficas

 

  • DANIELSKI, Vanderlei. Síndrome de Down: Uma Contribuição à Habilitação da Criança Down. Editora Ave-Maria, 1985.
  • LORENZINI. Marlene V, Brincando a Bricadeira com a Criança Deficiente. Editora Manole Ltda. Tamboré, 2002.
  • PROENÇA. Tani Manoel Kokubum, Educação Física Escolar: Fundamentos de uma Abordagem Desenvolvimentista. São Paulo, E.P.U.1988.

Texto:
Carolina Araújo Santana
Estudante de Educação Física da Facsul – Faculdade do Sul da Bahia
Itabuna – BA

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