Magnésio e voleibol

Adequação nutricional do magnésio pode ajudar no salto de atletas no voleibol

Em pesquisa realizada na FCF, os jogadores mais bem nutridos neste aspecto pulavam, em média, 7,83 centímetros mais alto que aqueles cuja nutrição estava deficiente. Próximo passo é induzir suplementação.

Em esportes como o voleibol, em que poucos centímetros na estatura ou no salto dos atletas podem decidir partidas, a adequação na nutrição de magnésio vale muitos pontos. Isso porque ela pode estar associada com o desempenho dos esportistas na altura de seus pulos, conforme sugeriu o estudo de mestrado apresentado pela nutricionista Luciana Setaro à Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP. “No período competitivo, os atletas que excretaram mais magnésio na urina saltaram, em média, 7,83 centímetros mais alto que aqueles com as piores excreções”, afirma.
Segundo a pesquisadora, esse resultado pode ser um indicativo de adequação do estado nutricional em magnésio, mineral importante no processo de produção energética anaeróbica (sem a presença de oxigênio), que acontece nos primeiros segundos de exercícios ou explosão muscular. “Ele é um dos componentes da creatina-quinase, uma das enzimas catalisadoras deste processo.” Como o voleibol é uma atividade que se vale principalmente destas reações, uma boa disponibilidade das substâncias que estão envolvidas pode interferir diretamente no desempenho dos atletas.

Neste caso, foi medida tanto a excreção de magnésio na urina quanto a sua ingestão. Estes e outros parâmetros, quando associados, indicam se o indivíduo está bem nutrido ou não com relação ao mineral. A correlação entre a eliminação da substância pela urina e o salto vertical foi verificada apenas no período competitivo, quando os atletas estão no auge de seu condicionamento físico. “Quem excreta mais está com uma maior adequação nutricional neste aspecto, pois significa que menos magnésio é necessário para realizar a conversão energética.”

Em atletlas com os piores índices nos saltos foi verificado que os parâmetros nutricionais do mineral são deficientes. Luciana ressalva, no entanto, que sua amostra foi pequena e que serão necessários estudos com maior população para confirmar estas conclusões. “Outros fatores podem ter influído nos resultados”, adverte. “Uma pessoa que ainda está desenvolvendo sua musculatura (atletas mais jovens ou adolescentes, por exemplo) terá uma absorção de magnésio muito maior que aquelas em que esta estrutura já está consolidada”, exemplifica.

Duração e intensidade

Segundo Luciana, a adequação nutricional poderia contribuir para o desempenho de atletas de outras modalidades esportivas. Alguns esportes, como artes marciais, natação, ginástica olímpica e atletismo (100 metros rasos), também exigem uma alta intensidade de exercício muscular em curto espaço de tempo. Para chegar a este equilíbrio, a dieta dos esportistas deve ser rica em cereais integrais, grãos oleaginosos, como castanhas e nozes, e vegetais de coloração verde-escura, as maiores fontes do mineral na alimentação.

Na realização de seu estudo, a pesquisadora acompanhou por nove meses uma equipe profissional brasileira, na pré-temporada e durante o Campeonato Paulista de 2003. Foram analisados os aspectos antropométrico, dietético, bioquímico e de desempenho com 16 atletas da equipe, em ambos os períodos. Em seu doutorado, a nutricionista pretende seguir na mesma linha, ampliando a amostra e as vias de avaliação nutricional, mas desta vez elaborando um suplemento a base de magnésio.

Fonte: Agência USP de Notícias

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