Palmadas corretivo educativas

Hoje mais do que nunca, deixei de ser um homem de palavra. Sou um homem de milhares de palavras. Também não posso afirmar ser um homem que cumpre radicalmente as promessas feitas, ao menos, no campo repressivo educacional. Minhas inúmeras promessas, em aplicar surras ou palmadas educativas, em meu único filho, fizeram-se renovadas a cada fase de desenvolvimento, e nunca foram cumpridas.

Meu olhar Tramontina (corte rápido e preciso), talvez tenha funcionado como ferramenta eficiente de repressão. Há veracidade em minhas palavras, porque é fato, que as palmadas educativo corretivas e vice-versa, nunca foram, por mim aplicadas, comprovando a eficiência Tramontina, apesar de no fundo do meu coração, nunca acreditar ou desejar a citada eficiência.

Não registro nenhuma forma de arrependimento, em não ter posto em prática, o aparelho de repressão paterno, no qual creio, que se utilizado com sabedoria e bom senso, associado aos diálogos e presença permanente, dos pais ou responsáveis, é útil, eficiente e necessário, para a educação dos filhos.

Não houve em nenhum momento, por minha parte, a necessidade ou mesmo algum desejo, em aplicar palmadas carinhosas, educativo corretivas em meu filho, sobrinhos, sobrinhas e alunos. Meu falecido pai, em nenhum momento sequer, mesmo naqueles em que eu merecia alguns tapas, nunca aplicou punição física. Devo ter aprendido com ele, porque a história se fez repetir em minha vida, por meio de convivência com meu filho, colaterais familiares (parentes próximos) e alunos, sem o uso de punição física. A minha educação pacífica, também veio de berço.

Inversamente proporcional à minha postura, como pai, “ameaçador” de uma surrazinha, vindoura numa etapa a posteriori, de crescimento e desenvolvimento (infância, pré-adolescência, adolescência); foram as inúmeras e, concretas as palmadas, aplicadas por minha esposa, durante o processo educacional e de desenvolvimento de nosso filho, e de alguns colaterais familiares, em fase de desenvolvimento infantil. Inexplicavelmente não há nenhuma lembrança negativa das palmadas, tudo foi esquecido. Caso algum flash remanescente de memória surge, é imediatamente reconhecido com carinho, admiração e gratidão.

Não recordo, se minhas “ameaças”, não cumpridas, se renovavam a cada etapa do desenvolvimento, ou mesmo, a cada ano de vida. O fato, é que, sem “punição” física concreta, por meio das famosas palmadas corretivo educativas prometidas, meu amado e estimado filho chegou à idade adulta, sem traumas, medos, ódio e rancor.

Por algum motivo, o qual, não sei explicitar, não fiquei surpreso, quando da escolha de meu filho, por um curso superior de formação profissional, ligado diretamente á educação. Ao que tudo indica ele esta feliz, e começando, seus primeiros passos no caminho, rumo á profissão mais importante, dentre todas as outras.

Fico satisfeito por ter tido a oportunidade e bom senso, em não aplicar nenhum severo e prolongado castigo, e principalmente, por assim escrever, nunca concretizar agressões físicas, durante o processo de formação e desenvolvimento de meu filho. Certamente, punições desregradas e castigo físico geram cicatrizes mentais traumáticas, com permanente lembrança dolorosa, ódio sufocado, mágoa e rancor, além de produzir sequelas visíveis, na estrutura física ou corporal.

Por outro lado, caso eu soubesse, que leves palmadas educativas, que visivelmente, doíam mais em minha esposa, fossem ser tão mais eficientes, no desenvolvimento da afetividade e interação com meu filho, fato que aconteceu entre eles, haveria também eu, participado, em vias de fato, de tal processo de “espancamento” corretivo. Entendam final e claramente, de uma vez por todas, que o “espancamento corretivo”, é reconhecido por meio de leves palmadas educativo corretivas, que aplicadas de forma suficientemente carinhosas, visam o despertar fiel, de sentimentos humanos.

As enxurradas de sensações experimentadas, e hoje por mim percebidas, despertam-me para a existência da dualidade de sentimentos em meu interior. A congruência de sentimentos tais como: carinho, sensibilidade, cumplicidade, companheirismo e amor, entre minha esposa e filho, são transparentes em nosso núcleo familiar, assim como, as manifestações de “admiração” e confiança, tão comuns em nosso quotidiano.

Ensinei astutamente, como faria um bom pai, a meu filho, se virar na cozinha, e a sobreviver por meio da produção de pratos renomados, que despertam a inveja daqueles desprovidos de talento culinário, assim como, a apreciar massas e carnes, tanto quanto, ou até mais, do que eu mesmo. Não pense que o relacionamento aberto e cultivado, em plena cozinha, entre panelas e fogões, num ambiente sem distanciamento afetivo, me transformou em mais um amigo do meu filho. Não sou amigo de meu filho, sou pai. Amigo não corrige; apoia, é cúmplice. Pai corrige, e apoia com cumplicidade, as atitudes positivas da vida do filho. Amigo acoberta. Pai aplica punição justa, e no devido tempo, perdoa. Amigo não educa; compartilha momentos e prazer. Pai educa e compartilha momentos, de prazer e de dor. Amigo sempre esta com os braços abertos. Pai permanece eternamente de braços abertos, e com as portas de casa escancaradas, esperando o retorno do filho, mesmo que pródigo.

Há no momento, uma necessidade de conduta moral implícita, para o despertar de sentimentos, como, o respeito aos princípios culturais, familiares e sociais. Faz-se imperativa, no mundo e no espaço de tempo atual, o cumprimento às regras, normas e leis, assim como, a manutenção da integridade dos elementos da natureza. O respeito e consequente preservação de nosso planeta, o qual é nossa morada temporária, caracterizado por meio de exploração consciente dos elementos naturais do ecossistema, é a concretização racional do espírito humano, que diferencia os homens dos animais.

A ajuda mútua, entre nações e cidadãos, é a base, para a convivência harmoniosa, entre humanos, e como tal, temos o compromisso e dever em ensinar, que Globalização não é simplesmente, um estado momentâneo de confinamento no planeta. Globalização é compartilhar no planeta, visando sempre o bem comum. Devemos ressaltar cotidiana e exaustivamente, que na Aldeia Global, há necessidades relacionadas com ajuda aos povos, nos aspectos econômicos e sociais, respeito com as tradições e manifestações culturais, e de tolerância religiosa, respectivamente.

A responsabilidade em gerar educação cidadã plena, é da família, do Estado e da sociedade, por meio da presente afirmação, todos nós, possuímos uma grande parcela de participação, na formação educacional da população. O sucesso ou fracasso na educação de nossos filhos recai, sobre nossos ombros, não havendo culpa, especificamente centralizada nas famílias, escolas ou profissionais de educação. Nós devemos assumir, e pôr a carapuça dos erros educacionais, a qual cabe em todos, o mais depressa possível, e assim, promover debates e aplicação ações, para sanar em tempo hábil, os problemas encontrados.

Todos nós, independentemente de classe social, religião e nível de instrução formal, somos responsáveis pelos atos positivos e negativos, cometidos por nossos filhos em sociedade. Pelo motivo exposto, necessitamos rever e reverter, o quadro educacional deplorável, ao qual estamos atrelados.

O governo deve começar por valorizar financeiramente, e legitimar o profissional de educação escolar, como o elo perdido, entre a família, Estado e sociedade. O professor necessita voltar a ser respeitado, tanto pela família, Estado e sociedade, e dá-se o devido respeito profissional no ambiente escolar. A família deve acolher, abrigar e dar segurança afetiva. Por meio da saciedade das necessidades apresentadas, estaremos no caminho certo, em busca de um futuro promissor, e de um presente prazeroso.

Nossas escolas precisam ser mais atrativas, fisicamente belas, impecavelmente limpas e obrigatoriamente recheadas com tecnologias de ponta. Mesmo que as crianças não possuam em suas casas, tais tecnologias, elas têm direito de ter acesso, e devem buscar por vontade própria, tais recursos.

Nas escolas do pós-modernismo, as crianças, os jovens, os adolescente e também os adultos estudantes, estão em pleno contato, justamente com a realidade sórdida, imposta pela era pós-moderna, a qual é vista como sendo a era do vazio, com sua modernidade líquida. A reversão, da atual situação do ensino, se faz iminente.

Nossas escolas devem ser espaçosas, arborizadas, floridas, climatizadas, construídas com aproveitamento das características físicas da comunidade, harmonizando a arquitetura das cidades, se possível aproveitando sempre, as construções antigas e interagindo-as com o moderno, preservando a história.

Nossas escolas devem ser construídas com tudo o que for de mais bonito, e fazer uso, ao máximo possível, de materiais mais sustentáveis, sem poupar criatividade na elaboração dos projetos físicos e também, para a captação de recursos financeiros, inclusive de empresas privadas e de outros países.

Nossos professores especialistas em educação devem inserir na grade ou contexto curricular, matérias de utilidade para o desenvolvimento cognitivo e raciocínio lógico, de desenvolvimento afetivo, de convívio social e de saúde. Nossos professores devem garantir principalmente, a inserção, nos contextos curriculares ocultos de suas aulas, elementos que despertem para a necessidade, de enriquecimento da cultura geral e desenvolvimento humano.

Nossas escolas precisam de professores, que as ame, como a si mesmos, e que não desejem nunca, a aposentadoria, como desculpa para descansar. Trabalho prazeroso não provoca cansaço, muito menos, que desperte o negativo desejo, de afastamento eterno. Trabalho prazeroso promove satisfação. Precisamos de professores, que desejem tornarem-se perpétuos, enquanto durar a memória infinita dos alunos.

Escola é local para fazer amigos, ou melhor, reconhecer amigos, segundo o eterno poeta Vinícius de Moraes. A formação de grupos de amigos ou de tribos, assim intituladas na atualidade, é necessária e importante, ao desenvolvimento social de crianças, jovens e também de adultos. Viver em grupo faz o homem mais humano.

Da mesma forma que os pais amam seus filhos, e desejam que os mesmos sejam felizes, produtivos e realizados, necessitamos de um Estado compromissado com a educação do povo, para o povo. Necessitamos de um Estado, que assuma a responsabilidade em liderar, coordenar e liberar as verbas existentes, para a realização imediata, de nosso projeto coletivo de vida.

Esperamos uma decisão imediata do Estado, que seja congruente com os anseios dos pais, dos professores e comunidades, porque uma certeza existe, a de que não estamos felizes, com a situação atual educacional do país e do mundo. As imposições educacionais advindas do Estado foram equivocadas, e provocou estagnação das pesquisas e de conhecimentos científicos, assim como, a degradação da cultura popular, e do aumento de evasão escolar.

A violência generalizada e o consumo de compensação vigente, de drogas lícitas e ilícitas, estão em real, espantosa e alarmante ascensão, e deve ser combatida com seriedade e propriedade, para reestruturação da base social, ou seja, a família. O núcleo escolar deve participar ativamente, sendo inserido e usado na reestruturação dos indivíduos dependentes químicos e ou em risco social, por meio de terapias ocupacionais, prática esportiva regular, dentre outras formas de apoio.

A escola deve funcionar regularmente em todos os dias semanais. Nos sábados e domingos, deve estar aberta, e funcionando com atividades em caráter excepcional e complementar. Atividades de produção de artes, música, prática de exercícios físicos, competições esportivas para todos, e aulas de aperfeiçoamento técnico profissional, para os adultos trabalhadores, devem fazer parte da nossa escola após pós-modernidade. A escola deve tornar-se a uma extensão participativa positiva, um apêndice, no convívio familiar e social.

Nós, como pais zelosos, estamos determinados, irredutivelmente, a mudar a trajetória educacional de nossos filhos. A única atitude, a ser tomada, como bons pais que somos, é assumir, como tarefa primordial, e sem sombra de dúvida, na atualidade, a aplicação de palmadas corretivo educativas, no traseiro do Estado.

Saudações educacionais.

Texto:

Profissional de Educação Física: Luiz Carlos Chiesa
www.professorchiesa.com.br
Registro CREF 1- 000069 G/ES

  • Graduado pela U.F.E.S-1985/1
  • Pós graduado em Treinamento Desportivo pela Universo/1999.
  • Diretor do CREF 01/ ES.
  • Autor dos livros:
    – Musculação: uma proposta de trabalho e desenvolvimento humano, Espírito Santo: Editora da U.F.E.S, 1999.
    – Musculação: Aplicações práticas – Técnicas de uso das formas e métodos de treinamento, Rio de Janeiro: editora Shape, 2002.
    – A musculação racional. Bases para um treinamento organizado, (em fase de edição; editora PAIDOTRIBO, Barcelona/Espanha).

 

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