Prática constante de corrida favorece sistema imunológico de idosos

Estudo da FMUSP comparou atividade imunológica de idosos praticantes de corrida com sedentários jovens e idosos. Os corredores tiveram uma resposta proliferativa de células T maior e uma alteração benéfica na produção de interleucinas.

A prática da corrida, quando realizada por vários anos, pode desacelerar a diminuição das atividades do sistema imunológico humano decorrente do envelhecimento (imunosenescência). Ao comparar a atividade imunológica de homens idosos que correm habitualmente, com homens sedentários (idosos e jovens), o médico Milton Hideaki Arai mostrou que a prática do esporte retarda a imunosenescência. “Os idosos corredores apresentaram um condicionamento físico 52% maior do que os idosos sedentários”, aponta Milton Arai.

“Esse condicionamento foi semelhante ao encontrado no grupo de jovens”, completa o pesquisador, que é médico do Hospital das Clínicas e professor da Faculdade de Medicina da USP. Além disso, por meio de testes laboratoriais, verificou-se que a proliferação de linfócitos T (principais células do sistema imunológico) foi maior em idosos corredores do que nos sedentários. “No processo de envelhecimento, essa resposta proliferativa diminui”, conta.

O pesquisador também verificou nos três grupos (idosos corredores, idosos sedentários e jovens sedentários) uma alteração na produção de interleucinas, pequenas proteínas, de vários tipos, produzidas preferencialmente pelos linfócitos T e que atuam tanto nos linfócitos T como em outras células do corpo. No caso das interleucinas 2 (que diminuem conforme envelhecemos e cuja função é “orquestrar”o funcionamento do sistema imunológico), os idosos corredores apresentaram uma produção maior, em comparação aos idosos sedentários, e semelhante aos jovens.

Já as interleucinas 6, (quanto mais presente no organismo, maior é a possibilidade de o idoso apresentar incapacidade funcional), os corredores apresentaram quantidade menor em relação aos idosos sedentários. E na análise das interleucinas 3 (relacionadas a hematopoiese – processo ligado à produção de sangue pela medula óssea, e que aumentam com o envelhecimento), os idosos corredores mantiveram a produção semelhante à dos jovens. Os idosos sedentários apresentaram uma produção maior.

Repercussão clínica

Mesmo tendo comprovado os benefícios imunológicos da prática constante de corrida, o médico é cauteloso quanto à repercussão clínica. “Não é possível afirmar que os corredores idosos tiveram um número menor de infecções e de doenças, pois isso não foi avaliado na pesquisa”, conta Milton Arai. Ele ressalta que esta constatação dependeria de um estudo específico que abordasse o tema. “O que nós, médicos, já sabemos é que a prática de meia hora diária de exercícios físicos, cinco vezes por semana, diminui a gordura abdominal (ligada a problemas cardiovasculares), previne e controla a osteoporose, a hipertensão e o diabetes, aumenta o colesterol bom e diminui o ruim, e previne também contra o câncer de cólon e o de mama”, afirma.

Participantes

A pesquisa, que contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi apresentada na Faculdade de Medicina da USP e teve a orientação da professora Valéria Maria Natale. Foram avaliados 20 corredores com idades entre 60 e 80 anos (média de 67 anos), praticantes do esporte há 23 anos (em média), e que correm cerca de 5 quilômetros por dia. O grupo controle era formado por 20 homens com idade média de 66 anos e que nos últimos 5 anos não praticaram nenhum tipo de atividade física. O terceiro grupo, composto por 10 homens sedentários entre 20 e 35 anos, estava há dois sem realizar atividades físicas.

Os 50 voluntários foram selecionados a partir de um protocolo (SENIEUR) que permitiu eliminar qualquer participante que tivesse tido alguma patologia que pudesse influenciar na investigação imunológica. Os participantes passaram por exames clínicos, laboratoriais e um inquérito farmacológico para saber se havia algum fator que poderia influenciar o funcionamento do sistema imunológico. Os selecionados também realizaram testes ergoespirométricos, para medir a capacidade cardio-respiratória (condicionamento físico).

Texto:
Valéria Dias

Fonte:
Agência USP de Notícias

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