Praticar exercícios na escada faz bem?

escadaVocê já ouviu falar que subir e descer escadas pode ter um valor estético, como tornear as pernas e glúteo, além de queimar calorias? E que descer as escadas provoca uma sobrecarga maior do que subi-las?

O professor do departamento do Aparelho Locomotor, Lúcio Honório Carvalho Junior, ortopedista e traumatologista especializado em Medicina do Esporte explica que, diferentemente dos aparelhos comuns nas salas de musculação, por exemplo, que exercitam a mesma região, nas escadas a atividade usa o próprio peso corporal como contrapeso.

Visto dessa forma, subir e descer degraus pode sim contribuir para a queima calórica e, por exigir muito da musculatura das pernas e do quadril, pode produzir esse efeito de “torneamento”.

Mas, como em qualquer exercício, para que haja resultados é necessário prática e tempo de recuperação. Uma frequência menor que três vezes por semana não produzirá quase nenhum efeito.

Outro fator que interfere é a velocidade com que a atividade é feita e quantos degraus a pessoa sobe e desce. Segundo Lúcio Honório, o tempo ideal é aquele suficiente para exercitar-se sem que isso provoque dor articular. Mas a intensidade dessa dor deve ser avaliada. “Dores musculares pela prática de exercícios são muitas vezes inevitáveis e devem ser consideradas dentro do contexto, pois traduzem microrrupturas que levam a microssangramentos, que no final acabam melhorando a vascularização”, explica.

O ortopedista afirma que não há uma maneira específica de subir e descer os degraus. A grande questão relacionada com essa atividade não é a sobrecarga muscular, mas sim a das articulações. Quanto à comparação entre a subida e a descida, o especialista diz que teoricamente os movimentos são similares. A pressão sobre a patela, um pequeno osso localizado anteriormente à articulação do joelho, chega a superar três vezes o peso corporal para subir um degrau de 20 centímetros. O que pode influenciar a descida são a velocidade e a aceleração que podem ser maiores, pois a gravidade funciona como acelerador e não como freio.

O exercício não é indicado para aqueles que sofrem de algum processo degenerativo nos joelhos ou mesmo nos quadris e tornozelos. Por isso a avaliação médica prévia é fundamental, já que a exigência física é grande e torna prudente uma avaliação clínica e cardiológica completa antes do seu início. Em relação ao potencial de provocar lesões, a atividade nas escadas é muito mais arriscada do que a caminhada. Nesta última, a pressão é distribuída de forma uniforme por todo o joelho diminuindo a chance de sobrecargas.

Texto: Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG

Fonte: Faculdade de Medicina da UFMG

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