Programas de tratamento de alcoolistas deveriam incluir familiares

Os familiares de homens alcoolistas também deveriam ser incluídos em programas de tratamento da doença

Um estudo realizado pela psicóloga Joseane de Souza, apresentado na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, mostra que as crianças – em especial as meninas – apresentam prejuízo emocional e de comportamento em relação aos filhos de não-alcoolistas.

Segundo a pesquisadora, o trabalho serve de alerta aos profissionais de saúde, que deveriam ter um olhar especial às crianças filhas de alcoolistas. “A maioria dos tratamentos para alcoolistas em hospitais não incluem a família. Neste estudo percebemos a necessidade da terapia familiar para tratar esses sinais”, afirma.

A pesquisa teve como base a avaliação psicológica de 20 crianças (10 meninos e 10 meninas), com idades entre 9 e 12 anos, filhas de alcoolistas atendidos em um hospital da cidade de Guarapuava, no Paraná. Como comparação (grupo controle), 20 crianças filhas de não-alcoolistas e da mesma escola (e nível socioeconômico) das outras foram selecionadas para o estudo. Todas elas realizaram o Teste da Figura Humana e suas mães responderam a um questionário que abordava o comportamento das crianças.

Gênero

As crianças filhas de alcoolistas demonstraram uma auto-estima mais baixa, timidez, insegurança e sinais de depressão em comparação ao grupo controle. Segundo suas mães, foram qualificadas como impacientes, irrequietas, irritadas, acanhadas, tímidas e mais agarradas às mães. Na comparação por gênero, as meninas apresentaram mais sinais de depressão e as mães relataram no questionario que elas eram briguentas e desobedientes. Segundo Joseane, os resultados foram semelhantes aos encontrados na literatura mundial, que mostram que filhos de alcoolistas são mais vulneráveis a problemas psicológicos e comportamentais.

Os resultados apontaram que as meninas são mais vulneráveis a apresentarem dificuldades emocionais. “É necessário realizar mais pesquisas para podermos explicar as diferentes reações de meninos e meninas que convivem com pais alcoolistas, pois assim poderemos desenvolver estratégias mais eficazes no tratamento do alcoolismo” afirma. A pesquisadora ressalta que os resultados do estudo, por si só, não indicam que as crianças filhas de alcoolistas terão, de fato, problemas futuros.

Mas a pesquisa alerta para o papel dos profissionais de saúde na prevenção dos sinais apresentados, a necessidade da terapia familiar e o papel da escola como geradora de programas educacionais voltados à prevenção da doença. Joseane também destaca a importância de relacionamentos familiares positivos (com avós, tios, professores) como meios de se evitar os prejuízos psicológicos e comportamentais apresentados por estas crianças.


Texto:
Valéria Dias

Fonte:
USP Notícias

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