Redução progressiva do treinamento de força na fase de polimento

Atualmente, sabe-se da importante influência do treinamento de força fora da água na performance dos nadadores, principalmente os velocistas. Para melhorar a potência de um atleta, deve-se melhorar a força máxima dinâmica e a força de potência desse desportista com o treinamento de força (ZATSIORSKY, 1999).

Estudos longitudinais realizados têm mostrado que na continuação de uma sessão de treinamento de força de alta intensidade, se produz uma melhora na capacidade de mobilizar rapidamente atividades de inervação mais fortes (DEVRIES, 1979; SCHMIDTBLEICHER, 1984). Este acontecimento pode levar a um recrutamento mais rápido de unidades motoras nos atletas, quando comparados a pessoas não treinadas em força.

SCHMIDTBLEICHER (1992) escreve que a força máxima dinâmica contribui na qualidade da potência do atleta. RODACKI et al. (1994) afirmam que a melhora da força sempre beneficiará a potência muscular. Estas afirmações nos mostram a importância de se manter o maior nível de força máxima possível durante toda a temporada, mantendo, por conseqüência, a força explosiva.

Sendo assim, o trabalho deve focar a manutenção dos níveis de força durante todo o ano. Com isso, observa-se uma procura cada vez maior por informações que levem a uma melhor estratégia de treinamento, levando em consideração sua metodologia, o período a ser treinado, e quando o treinamento de força fora da água deve ser interrompido ao longo do planejamento.

Na natação e em alguns outros esportes, utiliza-se, em seu planejamento para performance, um período chamado de polimento. Polimento, segundo BOMPA (2002), é um período reservado para o treinamento específico para uma competição importante, remover a fadiga e facilitar a ocorrência da supercompensação, através de um decréscimo das cargas de treinamento.

A maioria dos treinadores opta pela não realização do treinamento de força fora da água no período de polimento, período este, que pode durar até quatro semanas. Este procedimento pode oferecer riscos quanto à diminuição da força e outras capacidades físicas, por isso, estes conceitos podem e devem ser revistos.

Estudos como o de GIBALA e cols (1994), citado por WEINECK (2003), corroboram a afirmação acima. Neste estudo, observou-se queda nos níveis de força máxima a partir de 8 dias de repouso total, sendo que o mesmo não foi observado quando os indivíduos foram submetidos ao programa de treinamento reduzido.

Na fase de polimento, o treinamento de força pode se tornar reduzido, sendo usado como forma de manutenção das capacidades físicas importantes para o desporto, sendo treinado de forma secundária, ou seja, depois do treinamento na água, evitando assim o comprometimento negativo na supercompensação.

O treinamento reduzido pode estar relacionado ao princípio da manutenção. GUEDES JR. (2007) define este princípio como sendo um período de manutenção da aptidão física, onde se observa a diminuição da duração e a freqüência de treinamento (volume), mantendo a intensidade. Este pode ser de grande importância na fase de polimento para alguns atletas, respeitando sempre a individualidade biológica, fazendo com que o treinamento continue a ser realizado, mas de forma regressiva (volume regressivo).

O treinamento de força reduzido progressivamente em um planejamento já é uma estratégia aplicada, por muitas vezes, na prática, na fase que compreende a metade final do período específico/competitivo (micro ou mesociclo). Desta forma, pode-se dar mais importância ao treinamento de natação (na água), fazendo com que a técnica e a tática sejam enfatizadas, e facilitando a supercompensação das capacidades físicas importantes para um bom desempenho.

Neste período, o foco deve estar voltado para o principio da especificidade. Este princípio compreende o treinamento das capacidades (exigências) específicas da modalidade, como via metabólica predominantemente utilizada, grupos e ações musculares que participam do gesto esportivo, tipo de força, etc. (GUEDES JR., 2007).

A força e a potência muscular, como sendo capacidades físicas essenciais para um bom desempenho, não devem ser negligenciadas nesse período (polimento).

Com isso, pode-se concluir que a força em suas diversas manifestações, é de suma importância para o desporto (natação), e que se deve sempre buscar novas estratégias para evitar a diminuição das capacidades físicas envolvidas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOMPA, T. O. Periodização. Teoria e metodologia do treinamento. 4ª Ed. São Paulo: Phorte, 2002.

GUEDES JR., D. P. Saiba tudo sobre musculação. Coleção Corpo & Saúde. Rio de Janeiro: Shape, 2007.

Revista virtual ef artigos – Natal-RN- volume 3- número 23 – Abril – 2006 – Nelson Kautzner Marques Junior

WEINECK .J. Treinamento Ideal. 9º Edição. Barueri-SP: Manole, 2003.

NAVARRO, V. F. Treinamento muscular fora d água. SITE: www.webswimming.tripod.com

Texto: Rodrigo Gianoni – CREF 044722-G /SP

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