Socialização ajuda idosos nas atividades cotidianas

idososA satisfação do idoso com seu contexto social pode influenciar sua capacidade de fazer atividades básicas da vida diária, como ir ao banheiro, tomar banho, vestir-se, comer, transferir-se da cama para uma cadeira ou até mesmo caminhar de um cômodo a outro.

É o que revela pesquisa realizada a partir de um inquérito com 2055 idosos a partir de 60 anos, moradores de residências na zona urbana da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“Percebemos que os idosos que estavam insatisfeitos ou indiferentes com as relações sociais tinham pior desempenho nessas atividades”, afirma a fisioterapeuta Juliana Lustosa Torres, autora da dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG. “A maior socialização do idoso com amigos está associada com o melhor desempenho funcional”, completa.

Segundo Juliana Torres, não é possível saber se foi a incapacidade ou a insatisfação com o contexto social que aconteceu primeiro. Mas ela ressalta que as intervenções para melhorar a satisfação do idoso com sua socialização podem ser benéficas tanto para a prevenção como para a recuperação das limitações funcionais.

Metodologia

A análise considerou componentes da rede social, como a situação conjugal e a frequência de visita de parentes e amigos nos últimos 30 dias, além do apoio social, que diz respeito à satisfação com as relações pessoais e à existência de pessoas com quem o idoso pode contar.

Os dados foram analisados com base no modelo Hurdle, inédito em pesquisas no Brasil, que avalia se a pessoa tem incapacidade física e o grau dessa incapacidade. De acordo com o resultado, o método possibilita verificar as variáveis associadas com ter ou não a dificuldade e o número de vezes em que ela ocorre.

Componente social

Os resultados do trabalho mostram que o ambiente social no qual o idoso está inserido também influencia em seu desempenho funcional, e não apenas nas questões físicas e cognitivas. A satisfação do idoso com seu contexto social e o contato com amigos podem ser decisivos para a promoção e recuperação da saúde, em relação à melhor funcionalidade.

“Percebemos que a incapacidade funcional possui três aspectos. Além do físico e psicológico, há o componente social e este merece um enfoque diferencial das autoridades”, sugere Juliana. Ela propõe ao governo, por exemplo, que já oferece ginástica para os idosos, que desenvolva também modos de incentivar que eles saiam de casa, encontrem outras pessoas e não fiquem restritos ao seu domicílio, por exemplo.

A pesquisadora sugere, ainda, a utilização dos resultados desse estudo na prática de todos os profissionais de saúde, principalmente os que trabalham na área de geriatria, para que atentem aos fatores emocionais, além do físico. ”Como fisioterapeuta, além do meu trabalho normal, ao ver que um idoso possui algum déficit funcional, posso tentar incentivar que sua família realize visitas, que ele saia de casa para encontrar amigos ou fale ao telefone. Quanto mais conseguirmos fazer com que o idoso seja funcional, melhor será para a família e para o governo”, defende.

Texto: Assessoria de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG

Fonte: Faculdade de Medicina da UFMG

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