Substâncias ergogênicas porquê?

Muitos atletas pretendem melhorar o seu rendimento desportivo para além do treino, através da utilização de determinadas substâncias consideradas milagrosas. Muitas delas incluídas nas substâncias dopantes e são proibidas no meio desportivo; outras não têm qualquer efeito extraordinário, e seu uso é supérfluo…

Substâncias ergogênicas são aquelas que os atletas procuram utilizar com vista à melhoria do seu rendimento desportivo, independentemente do seu treino, e incluem agentes farmacológicos e alguns nutrientes. Existem ainda técnicas consideradas ergogênicas como as mecânicas ou psicológicas, que ultrapassam o âmbito deste artigo.

Apesar da grande procura destas substâncias por atletas das mais diversas modalidades, a eficácia das substâncias ergogênicas não está comprovada cientificamente, e os atletas utilizam-nas porque são influenciados pela publicidade. Os maiores problemas colocam-se quando estas substâncias têm efeitos maléficos para os atletas e estes acabam por ser vítimas de outros interesses.

Os produtos dopantes, como sejam os esteróides anabolizantes, a cafeína, as anfetaminas e os hormônios, não serão aqui abordadas. Vamos mencionar algumas substâncias e nutrientes que são considerados como capazes de interfirir nas capacidades de um atleta, embora a sua eficácia seja discutível.

Vitaminas –Estas substâncias não parecem ter efeitos ergogênicos desde que o organismo disponha de reservas adequadas. No entanto, a ingestão de alimentos ricos em vitaminas do complexo B e vitamina C, ou a sua suplementação farmacológica parecem melhorar a adaptação ao calor e poderão ser utilizadas em atletas que se desloquem a climas quentes. A suplementação em vitamina E parece ser importante no treino em altitude e na aclimatação dos atletas.

Sais minerais – Parecem ter efeitos ergogênicos, como é o caso do bicarbonato de sódio e dos sais de fosfato. O bicarbonato de sódio parece ser vantajoso por retardar o aparecimento de fadiga muscular, embora cause problemas gastrointestinais e os sais de fosfato por interferirem no metabolismo energético.

Carnitina – Parece aumentar a utilização de gorduras como fonte energética durante a atividade física, poupando o glicogênio muscular e atrasando a fadiga muscular em exercícios prolongados. A sua utilidade não está comprovada, pois não há evidência de que suplementos de carnitina aumentem os seus níveis no músculo.

Açúcares – Os alimentos ricos em açúcares podem ter um efeito ergogênico por aumentarem as reservas de glicogênio muscular e hepático, mantendo os níveis de açúcar sangüíneo adequados durante a atividade desportiva. Os efeitos maléficos dos açúcares já foram abordados várias vezes.

Aminoácidos e proteínas – A suplementação protéica já foi referida em artigos anteriores, tendo sido focadas as suas vantagens e desvantagens. Existem alguns aminoácidos que podem ser aqui realçados:

  • A Arginina – Tem efeito ergogênico através da estimulação do hormônio do crescimento que aumenta a massa muscular, mas são necessárias quantidades muito grandes para que esse efeito se verifique, o que implica problemas no estômago.
  • O Triptofano – Atua por aumento da tolerância à dor e à fadiga durante o exercício muito intenso e pode também estimular a produção de hormônio do crescimento.
  • Os Aminoácidos de Cadeia Ramificada (Leucina, Valina e Isoleucina) –Têm efeitos controversos, mas parece que podem diminuir a fadiga muscular em exercícios prolongados e têm um papel fundamental na síntese protéica.
  • Ginseng É uma substância utilizada na medicina tradicional chinesa. Tem sido usada por atletas para melhorar as suas capacidades físicas e retardar o aparecimento de fadiga. A sua eficácia não está comprovada e em excesso pode causar depressão, insônia e hipertensão arterial.Os atletas que utilizarem estes produtos ergogênicos devem ter muito cuidado e informarem-se sobre a sua composição. Muitas vezes, são vendidos em academias ou casas de produtos dietéticos, sem qualquer controle e rótulo sobre o seu conteúdo. Alguns deles contêm substâncias dopantes, como esteróides anabolisantes, e o atleta, que só pretendia um suplemento em vitaminas ou sais minerais ou aminoácidos, acaba se dando mal. Geralmente, basta uma alimentação diversificada e equilibrada, associada a um programa de treino adequado, para que os atletas alcancem suas melhores performances físicas.

    Lurdes Godinho de Matos
    Médica Endocrinologista Membro do CIMD
    (Revista Mundial – Portugal – 01/1998)

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