Suplementação com aminoácidos pode diminuir o índice de infecção

Estudos realizados na área de atividade física apontam que exercícios intensos e de longa duração podem estar relacionados com o aumento do índice de infecções. Deste modo, pessoas que se exercitam de forma mais intensa, em especial os atletas, estariam sujeitas a contrair doenças, principalmente as do Trato Respiratório Superior (TRS), ou seja, boca, garganta ou nariz. Mas, esse quadro pode ser revertido com a suplementação de aminoácidos unidades que compõem as proteínas de cadeias ramificadas. A conclusão está na pesquisa Efeito da suplementação de aminoácidos de cadeia ramificada, os Branched-Chain Amino Acids (BCAA ), sobre a resposta imune de triatletas, realizada por Reinaldo Abunasser Bassit, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

“Isso não ocorre somente com atletas, mas sim com todos aqueles que se submetem a atividades físicas intensas, das quais não estão habituados”, comenta o pesquisador. Foram analisados, de 1999 a 2001, os quarenta e sete melhores triatletas do Brasil, divididos em dois grupos: os que receberam suplementação de aminoácidos e os que não receberam. “Esses atletas têm uma rotina que facilitou nossos trabalhos, mas é preciso deixar claro que nossas conclusões podem se aplicar a qualquer um que esteja realizando atividades físicas intensas e prolongadas”.

As doenças de maior incidência verificadas foram a gripe, dores de garganta e até mesmo herpes. Além disso, constatou-se a aparição de dores prolongadas na musculatura. “Não é o efeito de um grande acúmulo de ácido láctico; é uma dor de maior duração, causada provavelmente por uma lesão muscular decorrente da contração continuada do músculo ou pelo aumento da sua temperatura devido ao esforço físico.” Bassit explica que as debilitações se agravam devido a vários fatores.

“Uma dieta alimentar, um descanso ou treinamento inadequados também facilitam o surgimento de doenças infecciosas”. No caso dos triatletas envolvidos na pesquisa, o estudioso afirma que não foi diferente. “Aqueles que não receberam a suplementação com BCAA se mostraram mais susceptíveis ou adquiriram algum tipo de infecção do TRS, ou uma semana antes ou depois da competição.”

Sistema imune

O pesquisador comenta que, quando alguém inicia uma atividade da qual não está habituado ou que a intensidade do esforço ultrapassa aquilo que ele chama “limiar anaeróbico”, ocorre um maior estresse orgânico natural. “Nessa condição, ele (o estresse) causa um desbalanço no perfil de aminoácidos plasmáticos o que pode contribuir para uma menor reposta do sistema imunológico; dessa forma podem surgir doenças, principalmente as do TRS, ou seja, aquelas que envolvem a garganta, brônquios, nariz, ouvido”.

Bassit explica que o músculo esquelético é capaz de produzir grandes quantidades do aminoácido glutamina, e esse processo se dá, principalmente, por meio da oxidação dos BCAAs. Durante a atividade física, o músculo esquelético consome grandes quantidades desses aminoácidos. Desta forma, eles não são liberados em quantidades adequadas para a circulação sangüínea e, com isso, a concentração plasmática de glutamina diminui. “Aí, no instante que as células do sistema imunológico necessitarem entrar em ação, irá faltar quantidades adequadas de glutamina para que o corpo organize uma resposta imune satisfatória, aumentando a susceptibilidade às doenças.”

Ele afirma que quando se compara uma pessoa sedentária a um praticante de atividade física moderada e regular, o primeiro está imunologicamente mais susceptível a contrair doenças. Já o atleta, que está engajado em exercício físico intenso e prolongado perde tanto para aquele de vida sedentária como para o praticante de exercícios regulares. “Atletas buscam performance; há maior esforço, portanto, maior consumo de glutamina pelo músculo do que sua produção; ocorre queda na concentração desse aminoácido com conseqüente prejuízo no funcionamento do sistema imune e maior índice de doenças infecciosas.”

O estudioso conclui que aquela pessoa que realiza exercícios regulares, moderados, assistidos, com dieta e descanso adequados tem um mecanismo protetor, quando se fala em sistema imunológico. “Ela está melhor protegida imunologicamente falando do que aquele de vida sedentária e, principalmente, do que os atletas.”


Texto:
Marcelo Gutierres

Fonte:
USP Notícias

 

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