Nov 07

Atividade física, distúrbios hipertensivos e diabetes na gestação

exercicioparagestanteOs principais distúrbios hipertensivos na gestação são: pré-eclâmpsia, que consiste em elevados níveis pressóricos associados à proteinúria ou edema patológico; hipertensão arterial induzida pela gravidez (aumento do nível pressórico após a 20ª semana de gestação) e hipertensão arterial crônica (a gestante já era hipertensa antes de engravidar) (Ferrão, 2006).

Esses distúrbios são relativamente comuns e afetam 3-9% das gestantes em todo mundo. No Brasil esse índice é um pouco maior, podendo atingir 6-17% (Oliveira et al., 2006). Os principais fatores de risco são: obesidade pré-gestacional, extremos de idade materna, histórico familiar, raça negra, gravidez múltipla e diabetes (Roberts et al., 2011; Mudd et al., 2013). Continue reading

Jun 24

Os benefícios da atividade física na gestação

exercicioparagestanteEm 1985, o American Congress of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) publicou suas primeiras diretrizes sobre a prática de atividades físicas durante a gravidez e o período pós-parto. Dada a escassez de estudos na época, essas orientações foram por demais conservadoras (ACOG, 1985), inclusive mais cautelosas que as recomendações do American College of Sport and Medicine (ACSM) de 1978, dentre as quais orientava que a intensidade do exercício para a gestante deveria ser baseada na frequência cardíaca máxima de 140 bpm. Segundo Mudd et al. (2013), essa recomendação não foi embasada em estudos científicos, mas ainda é aceita pela maioria das pessoas que acreditam que intensidades maiores colocariam em risco a saúde da gestante e do feto.

Entretanto, Mudd et al. (2013) concluíram que gestantes aptas a praticarem atividades físicas podem suportar intensidades maiores que as recomendas pelos ACSM e ACOG. Uma compravação disso foi a pesquisa citada por Clapp et al. (2000) na qual 50 mulheres grávidas que participavam de aulas de ciclismo indoor, de três a cinco vezes por semana, não tiveram nenhuma complicação ao treinarem com frequência cardíaca entre 150 e 160 bpm. Outro estudo também realizado com bicicletas estacionárias, não encontrou efeitos negativos de um treinamento com 70% da frequência cardíaca máxima (Webb, 1994). Continue reading

Jun 21

Alterações fisiológicas durante a gestação

Diversas alterações ocorrem durante a gravidez, portanto um bom entendimento delas acaba favorecendo o profissional de educação física a orientar de forma eficiente e segura a mulher que se propõe a praticar exercício físico durante a gestação.

Alterações Hormonais

Mudanças significativas no perfil endócrino ocorrem durante a gestação, destacando-se quatro hormônios que desempenham um papel fundamental para a mãe e para o feto. Dois desses são os hormônios sexuais femininos estrogênio e progesterona, os quais são secretados pelo ovário durante o ciclo menstrual normal, passando a ser secretados em grandes quantidades pela placenta durante a gestação. Outros dois importantíssimos são: a gonodotrofina coriônica e a somatomamotropina coriônica humana. Continue reading

Jun 21

Respostas às dúvidas mais frequentes sobre a alimentação na gestação

1- Quantas calorias a gestante deve consumir por dia em média?

Varia muito, de acordo com a altura, peso, atividade diária, estado nutricional pré-gestacional, entre outros fatores individuais. A média do consumo calórico populacional das mulheres saudáveis e ativas é de 1800Kcal. Para as gestantes, a recomendação é que se acrescente 300 calorias a partir do 2º trimestre da gestação, considerando o desenvolvimento do feto e o ganho de peso da mãe. No caso de gestantes com baixo peso, recomenda-se o acréscimo calórico desde o início da gravidez. Apenas no caso de gêmeos é que se deve somar o dobro de calorias, mas isto deve variar de acordo com o estado nutricional da gestante durante os 9 meses e o bom senso do profissional que a estiver acompanhando.

2- No inverno a gestante deve comer mais?

Para manter-se aquecido frente às temperaturas frias o corpo acaba gastando algumas calorias extras, mas esta diferença é muito pequena para compensarmos na dieta. Ainda devemos considerar que no inverno sentimos naturalmente uma vontade maior de comer alimentos mais calóricos e isso, por si só, já compensa este aumento do metabolismo.

3- É indicado diminuir ou aumentar a quantidade de sal nesse período?

Diminuir ou manter, caso esteja adequado. Este cuidado deve ser tomado devido ao maior risco de desenvolver hipertensão na gravidez (pré-eclâmpsia), por conta de diferenças no controle fisiológico do bombeamento do sangue. O ideal é que não ultrapasse 5 gramas/ dia do total da dieta.

4-E de açúcar?

O açúcar simples deve ser controlado, uma vez que suas fontes estão na maioria das vezes associadas à gordura, como é o caso dos bolos, tortas, sorvetes e chocolates. Além disso, não oferecem nutrientes importantes, deixando a dieta da gestante rica em calorias e gorduras e pobre em vitaminas e minerais.

5- Carboidratos complexos podem ser consumidos sem limite?

De 50 a 60% da alimentação deve ser composta por carboidratos, dada a preferência aos complexos como pães e cereais integrais por conta das fibras que auxiliam no processo de digestão e absorção.

6- E verduras?

As verduras (legumes e frutas também) são ricas em vitaminas, minerais e fibras, sendo sua função primordial de regular o organismo como um todo e por isso são fundamentais para a saúde global da mãe neste período tão especial. As folhagens de cor verde-escura devem ser priorizadas, pois são fontes de cálcio e ferro, minerais de grande importância para a gestante, mas devem ser consumidas junto com uma fonte de vitamina C para ajudar na sua absorção, uma vez que o ferro presente nos vegetais é menos absorvido pelo organismo do que o das carnes.

7- Quais os melhores alimentos para combater o enjôo?

Para aliviar o sintoma, recomenda-se a ingestão de alimentos cítricos como laranja, limão, tangerina, abacaxi e acerola. As refeições constituídas por alimentos a base de carboidratos, como cereais cozidos, torradas, biscoitos simples, batata cozida, e a restrição de líquidos de 1 a 2 horas antes e após as refeições também ajudam a aliviar os enjôos. Não ingerir alimentos muito quentes, não tomar líquidos às refeições e fracionar bem a dieta (de 5 a 6 refeições diárias) também podem ajudar a reduzir os episódios de enjôos.

8- E a azia?

Deve-se evitar alimentos muito gordurosos, condimentados e de difícil digestão. Os volumes devem ser fracionados para não haver excessos numa só refeição. O hábito de sentar-se para comer num ambiente adequado, mastigando lentamente e sem pressa também é fundamental para uma boa digestão.

9 – E a prisão de ventre?

A melhor maneira de evitar a prisão de ventre é aumentar o consumo de alimentos ricos em fibras de origem vegetal, como verduras, legumes, frutas e grãos (soja, grão de bico, feijão, cereais integrais, etc). É fundamental ingerir em torno de 2 litros de líquidos por dia, devendo-se priorizar água, água de coco e sucos naturais. 10- Quais as melhores dicas para ajudar na digestão da grávida?

  • Evitar excessos de gorduras e açúcares;
  • Comer devagar, mastigando bem os alimentos;
  • Fracionar a dieta, fazendo no mínimo 5 refeições diárias em horários regulares;
  • Consumir bastante líquido ao longo do dia, evitando-se o consumo durante as refeições de maior volume (almoço e jantar);
  • Evitar o excesso de alimentos formadores de gases, principalmente à noite (grãos, repolho, couve flor, cebola, brócolis);
  • Não sentar ou deitar logo após as refeições.

 

Fonte: www.rgnutri.com.br

Jun 21

Dieta rica em gorduras na gestação desencadeia disfunções metabólicas

Testes feitos em laboratório da FCM mostram a importância da programação fetal

Dissertação de mestrado do biólogo Luiz Fernando Possignolo, desenvolvida na Faculdade de Ciências Médicas (FCM), mostrou que a dieta materna hiperlipídica (rica em gorduras) para roedores, durante períodos críticos do desenvolvimento da prole, levou os filhotes a terem alterações metabólicas na vida adulta. Eles apresentaram resistência à insulina, hipertensão e alterações na expressão de proteínas ligadas ao transporte de colesterol e à via inflamatória. Apesar dos experimentos serem feitos com animais, existem estudos na literatura avaliando mulheres com alterações de dieta que já demonstram doenças metabólicas e que poderão levar efeitos sobre os filhos.

Foi o que sugeriu essa pesquisa ainda preliminar que teve a orientação do docente da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) José Antonio Rocha Gontijo e coorientação da pesquisadora Adrianne Palanch. Continue reading