Nov 05

Valores de referências para o percentual de gordura corporal

jornadanoturnaeobesidadeQual seria o percentual de gordura corporal adequado? O quanto é considerado excesso de gordura?

Estes questionamentos são um pressuposto de que o percentual de gordura corporal é uma variável importante para a análise da estética, da funcionalidade e do risco de mortalidade.

A classificação do estado de saúde de acordo com a quantidade de gordura corporal sempre foi um assunto em evidência. Presume-se que os riscos para a saúde iniciam-se nos limites superiores de gordura corporal acumulada.

Limites empiricamente identificados muitas vezes são utilizados para estabelecer diretrizes de percentuais de gordura ideais. Existem várias referências na literatura para diferentes populações e muitas destas diretrizes apresentam grandes limitações, seja pelo fato das características específicas das populações estudadas não condizerem com as características de outras populações ou seja pelos métodos nos quais estas diretrizes foram estabelecidas. Continue reading

Jun 26

Frutose, aquecimento excessivo de alimentos: Como isso pode engordar você

Introdução

Vivemos em um mundo onde perder gordura corporal é fundamental, pois, além de se distanciar do que é considerado belo, já faz é de conhecimento comum que o excesso de gordura corporal traz inúmeros prejuízos à saúde. Além disso, cada vez mais os índices de sobrepeso e obesidade se mostram alarmantes e verifica-se pouca eficácia no combate ao ganho de gordura corporal.

Frutose, AGE’S, inflamação, ganho de gordura e perturbações metabólicas

Altas concentrações de carboidrato no sangue (hiperglicemia) estimulam a produção de insulina (NELSON e COX, 2003), hormônio capaz de aumentar a produção de gordura no fígado e facilitar o transporte até os adipócitos (células gordurosas). Além disso, também provocam reações de glicação, que é a redução de um aminoácido por um açúcar, formando compostos chamados de agentes avançados de glicação (AGE’s).

Esses compostos também são responsáveis por aumentar a inflamação no organismo, estando relacionados com danos cardiovasculares, neuropatias, adiposidade, diferenciação adipocitária, redução da sensibilidade à insulina, diabetes mellitus, danos periodontais, entre outros fatos deletérios ao organismo (MONDEN et al., 2012; PRASAD, BEKKER e TSIMIKAS, 2012, ZIZZI et al., 2012).

Além disso, a glicação é responsável também por provocar alterações conformacionais na enzima catalase (BAKALA et al., 2012), fundamental no controle de espécies radicalares de oxigênio (ERO’s ou radicais livres), podendo causar disfunção mitocondrial, o que compromete a boa harmonia na produção de energia (ATP), β-oxidação (queima de gordura) e aumenta a diferenciação de adipócitos jovens em adipócitos maduros, mais capazes de armazenar lipídios (TORMOS et al., 2011).

Sendo assim, é importante fugir dos açúcares e carboidratos refinados quando se busca o emagrecimento, pois esses compostos são capazes de aumentar muito a glicemia. Porém, apesar de não alterar muito a glicemia nem a insulina, a frutose não é uma boa opção para adoçar alimentos, pois possui capacidade extremamente superior à da glicose em formar AGE’s, provocando danos teciduais também superiores. A frutose é 70% mais doce que a sacarose e 30% mais barata. Por isso, é amplamente utilizada na indústria, pois além de reduzir custos, não forma grânulos, conferindo uma textura homogênea ao alimento. Continue reading

Jun 20

Obesidade infantil: prevalência, causas e consequências

Obesidade é definida como acúmulo excessivo de gordura corporal capaz de trazer consequências negativas para a saúde, caracterizando-se como uma doença crônico-degenerativa.  Na atualidade, uma das principais preocupações dos profissionais da área da saúde é que a obesidade, na maioria das pessoas, iniciou-se na infância ou na adolescência. Inclusive, diversos estudos têm demonstrado um aumento considerável na prevalência da obesidade infantil, o que torna o problema ainda mais grave. Pois, além de ser um grande preditor da obesidade na vida adulta, o sobrepeso está associado ao aumento dos riscos de várias doenças.

Dados da Organização Mundial de Saúde demonstram que existem no mundo 17,6 milhões de crianças menores de cinco anos com obesidade. Na faixa etária de seis a 11 anos, o número de crianças com sobrepeso dobrou nas últimas quatro décadas. Nos Estados Unidos, a prevalência aumentou 62%, passou de 16,8% para 27,3%. Já em alguns países europeus, o crescimento foi de 10 a 40% nos últimos anos (WHO, 2004). Continue reading
Oct 28

Adoçantes, adiposidade e distúrbios metabólicos

adoçantesAdoçantes e ganho de peso

A obesidade é uma epidemia global, e a busca pelo emagrecimento, por motivos estéticos ou de saúde, é uma preocupação comum na sociedade moderna. Assim, várias estratégias nutricionais tem sido adotadas a fim de evitar o ganho de gordura, uma delas é o uso de adoçantes dietéticos (AD) não-calóricos, uma vez que o açúcar é um importante responsável na adipogênese. Porém, há evidências de que populações que buscam o uso dos AD engordam cada vez mais (YANG, 2010).

Confirmando isso, modelos experimentais mostram que o uso de adoçantes induz ganho de peso e redução da saciedade (SWITHERS E DAVIDSON, 2008; SWITHERS et al., 2013). No caso do uso do aspartame ou sacarina sódica, com o mesmo consumo calórico, esse ganho pode ser superior ao induzido pelo consumo do próprio açúcar (FEIJÓ et al., 2013). Em outro trabalho, ratos expostos aos adoçantes ganharam peso mesmo sem alterar o consumo calórico (POLYÁK et al., 2010). E o mais grave é que esse ganho de gordura que pode ocorrer pela exposição ao sabor doce pode continuar mesmo após a interrupção do consumo de adoçantes (SWITHERS et al., 2009). Continue reading

Nov 29

Carnitina e gordura corporal

Suplementação à base de carnitina não reduz gordura corporal

Teste feito em ratos mostra que a perda de gordura é a mesma com ou sem a ingestão da substância. A prática de exercícios físicos é o fator preponderante.

A carnitina é uma substância muito conhecida nas academias de ginástica. Crê-se que ela é capaz de facilitar a redução de gordura corporal em pessoas que aliam sua ingestão à prática regular de exercícios. No entanto, a eficiência da carnitina está sendo questionada por uma série de pesquisas realizadas no Departamento de Histologia e Embriologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP.

“Durante seis semanas, fizemos experiências com ratos e constatamos que, após treinamento físico, a redução da gordura corporal entre as cobaias que foram suplementadas com carnitina foi semelhante àquela observada nas que receberam somente ração”, relata Marcelo Saldanha Aoki, pesquisador do ICB. A equipe de Saldanha dividiu os ratos utilizados no experimento em dois grupos. Em um deles, as cobaias foram submetidas a exercícios físicos de baixa intensidade e longa duração. Os animais do outro grupo permaneceram sedentários. Continue reading

Sep 27

Natação engorda?

A natação é um dos esportes mais praticados do mundo, sendo normalmente recomendado para pessoas com problemas respiratórios, com lesões músculo-esqueléticas e pessoas desejando perder peso. Especificamente com relação à perda de peso, acredita-se que a natação forneça um alto gasto energético por envolver um grande número de músculos em seus movimentos. No entanto, é paradoxal ver que nadadores normalmente apresentam maiores quantidades de gordura corporal em comparação com atletas de outras modalidades.

Como exemplo podemos citar um estudo da década de 1980 no qual foram comparados nadadores e corredores. Os resultados mostraram diferenças em atletas de ambos os sexos, no caso dos homens, os corredores possuíam em média 7% de gordura, enquanto os nadadores possuíam 12%, já para as mulheres os valores foram de 15 e 20%, respectivamente (Jang et al, 1987). Continue reading