Jun 28

Como Acabar com a Violência na Escola

Encontro-me com um grupo de professores da educação básica. O bate-papo é inicialmente informal e ameno. Aos poucos, porém, a conversa torna-se confragosa, crua e empedrouçada. Ouço, atento, o relato das dificuldades pedagógicas dos mestres, em sala de aula, sobretudo as relacionadas ao ensino e à aprendizagem da leitura, escrita e ortografia. Logo me incomoda a descrição da escola enquanto palco de situações de violência. A violência escolar nas escolas, públicas e privadas, é um problema pedagógico.

Diretores e professores de escolas públicas me descrevem, apavorados, ocorrências de depredações dos prédios, casos de arrombamento de salas e laboratórios, ameaças e casos de detenções ou prisões e, não poucas vezes, situações de constrangimento e amedrontamento envolvendo pais, professores e alunos. Continue reading

Jun 22

Textos opinativos estigmatizam torcedores de futebol

Ideias expostas em muitos textos opinativos, em jornais de grande circulação, sobre violência no futebol conduzem os leitores a apoiarem a ideologia de que as autoridades púbicas devem inibir e se sobrepor a torcedores organizados e pobres. “Nestes textos o discurso predominante estigmatiza o torcedor organizado como marginal, vagabundo e terrorista, dando à questão aparência similar a uma guerra”, reflete o psicólogo social Felipe Tavares Paes Lopes. Segundo ele, tais textos buscam ampliar o controle do Estado sobre o cidadão de forma indiscriminada. Entretanto, “nem tudo é unânime e existem formadores de opinião que tratam as condições socioeconômicas e educacionais brasileiras como as verdadeiras causas da violência das torcidas de futebol”. Continue reading

Jan 30

Educação para a autonomia é a chave para a não-violência entre torcedores de futebol

A partir de entrevistas com torcedores comuns de futebol (que não fazem parte de torcidas organizadas) da cidade de São Paulo, o psicólogo Roberto Romeiro Hryniewicz constatou que existe a necessidade de a sociedade começar a pensar em uma educação voltada para a autonomia das pessoas, ou seja, que as faça pensar e agir por si mesmas, e que não apenas reproduzam idéias e ações sem refletirem sobre elas.

Esta é uma das conclusões de Hryniewicz em sua pesquisa de mestrado Torcida de futebol: adesão, alienação e violênciaapresentada no último dia 24 de abril ao Instituto de Psicologia da USP. “Não é a paixão pelo futebol que causa a violência entre torcedores, mas sim a maneira como as pessoas lidam com essa paixão”, afirma o psicólogo. “Muito provavelmente, quanto mais paixão e adesão existir ao esporte, mais homogêneo será o discurso da pessoa, ou seja, ela terá uma ‘explicação padrão’ para justificar suas atitudes e opiniões, que será semelhante a quase todos os membros daquele grupo”, esclarece. Continue reading