Vício da malhação é apontado como tão prejudicial quanto o sedentarismo

Vício de malhar existe?

Vício da malhação e problemas que podem advir dele foram tema de reportagem publicada no site Metropoli, cujo texto enfatiza que os prejuízos aos viciados podem ser no mesmo nível dos sedentários. Em casos mais extremos, diz a reportagem, o indivíduo pode desenvolver um transtorno denominado vigorexia, que o faz se achar mais magro ou fraco do que é, enquanto seus músculos incham.

E sobre isso fala o reumatologista Fabio Jennings, membro da Comissão de Reabilitação da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Para começar, ele acha que o termo “vício de malhação” está inadequado para o conteúdo da reportagem. Segundo Jennings, a vigorexia refere-se mais a uma alteração da imagem corporal do que à dependência psicológica de exercitar.

A reportagem do site diz também que se pode fazer uma checagem no corpo pelo espelho, para verificar se há ocorrência de vigorexia. Mas, segundo Jennings, não é tão simples assim: “Só o fato de não estar tão contente com a imagem corporal ao se olhar no espelho não diagnostica a vigorexia”, ressalta.

A vigorexia, explica o reumatologista, vem associada a características psicológicas. Existem critérios diagnósticos que devem ser preenchidos para a identificação da desordem e tal diagnóstico deve ser dado por um médico especializado.

Predisposição

Em mais detalhes, vigorexia, diz o reumatologista, é a desordem em que o indivíduo fica obcecado com a ideia de que não tem massa muscular o suficiente. Jennings explica ainda que estudos identificaram alguns fatores predisponentes à vigorexia, como ser do sexo masculino e morar em áreas urbanas.  “Geralmente em pessoas insatisfeitas com a imagem corporal e com baixa autoestima e o maior risco é que, na maioria dos casos, a condição é associada ao uso indiscriminado de drogas anabolizantes.”

Mas o vício de malhar existe? Jennings diz que não há definição desse vício, “mas entendo que se refere à dependência física e psicológica ao exercício físico, o que não é obrigatoriamente um fato negativo”, explica. Também não existe uma frequência definida para um “viciado”, segundo Jennings: “Indivíduos podem normalmente fazer exercícios sete dias na semana, sem efeitos negativos e não serem “viciados”. Atletas profissionais treinam várias horas todos os dias, e não são viciados”, diz, salientando que o  limite de dose a partir do qual o exercício passa a ser prejudicial é individual “e, por isso, a orientação e prescrição têm que ser desenhadas após uma avaliação prévia”.

Quanto aos riscos de fazer exercício demais, o reumatologista cita principalmente lesões de sobrecarga no aparelho locomotor como as tendinopatias, bursopatias e as fraturas de estresse. “Mais graves são os eventos cardíacos, como as arritmias, que podem até determinar morte em indivíduos jovens”, salienta.

Falando sobre eventual uso de suplementos alimentares, Jennings explica que, desde que consumidos com a orientação de um profissional da área, não são perigosos. “Os suplementos são substâncias que complementam a alimentação e são indicados quando se tem uma ingesta deficiente de algum nutriente ou quando há uma demanda excessiva (no caso dos atletas de alto rendimento). Eles ajudam a melhorar a performance durante a prática esportiva e os objetivos atingidos. “Podem ser perigosos se ingeridos em excesso pois podem sobrecarregar os rins e o fígado”, explica, ressaltando que suplementos são diferentes de anabolizantes: “Anabolizantes são derivados de hormônios esteroides e não são nutrientes”.

Texto: Fábio Jennings   

Fonte: Sociedade Brasileira de Reumatologia

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